A internet pode ajudar na educação dos filhos?Publicado em 27/02/2024 A Internet é uma ferramenta que dialoga diretamente com um processo evolutivo da nossa espécie sapiens. Somos um animal que evoluiu no campo cognitivo e, desta jornada, desenvolvemos mecanismos de conexão e interlocução como um de seus elementos mais representativos, incluindo aí a rede mundial de dispositivos. Sendo assim, qualquer família terá que lidar com o universo online como parte de um novo referencial da existência humana. E o processo educacional dos filhos passa por este lugar, pois as crianças também se enquadram neste novo contexto, queiramos ou não.
Não dá para demonizar a tecnologia, pois precisamos saber empregá-la a nosso favor.
Falar em Internet é falar de conexão, mas também dos dispositivos que viabilizam a existência desta rede, como smartphones, tablets, laptops, entre outros. Também há as inúmeras plataformas de transmissão e socialização virtual, como Youtube, Instagram, Facebook, Tik Tok, sites e jogos online que são empregados numa miríade de atividades que engloba lazer, entretenimento, formação, babá eletrônica, pesquisa, etc. E é nesta infinidade de possibilidades que reside o grande dilema quando se discute o papel (benéfico ou maléfico) da Internet na educação das crianças.
No entanto, a questão real não é se a Internet pode ajudar ou atrapalhar, mas QUANDO.
Quando a Internet vai contra a educação dos filhos?
Quando é utilizada como ferramenta para fazer calar a boca das crianças, deixá-las no seu cantinho sem que fiquem acionando os pais constantemente para brincar - apenas outro formato para uma babá eletrônica.
Também será disruptiva quando os pais, ou quem cuida de crianças, não acompanham o que estão fazendo com os eletrônicos acessados nas redes. O que estão vendo, está de acordo com a faixa etária da criança? Está dentro da classificação indicativa?
Também vai contra quando não se limita o tempo de uso no dia e à noite, levando a criança a fixar dependência, isolamento social e sintomas depressivos, assim como também perdas do interesse em atividades cotidianas e até desinteresse em estudar.
Lembrando que temos uma grande tendência em nossa espécie de criar dependência diante do que nos dá prazer imediato, diante do que nos satisfaz. Estudar não dá prazer imediato, exige esforço.
Quando a Internet está a favor da educação dos filhos?
Quando entra como mais uma atividade dentro de uma perspectiva de entretenimento, busca de conhecimento e interatividade familiar. Mas é preciso ter delimitação de tempo e os pais, ou quem cuida, devem estar participando e interagindo com as crianças naquilo que elas estiverem manuseando pela Internet. Assim como se tem horários de fazer tarefas de escola, de ir para a escola, de brincar, de passear, de se alimentar, de dormir, etc, também deverá haver horários definidos para se interagir com a Internet. Desta forma a Internet entrará na vida das crianças não como uma necessidade primordial, mas como mais uma necessidade, dentre muitas.
Países desenvolvidos da Europa, como França, Suíça e Holanda, que introduziram a Internet no sistema educacional há pelo menos cinco anos, agora estão revendo a utilização da Internet em sala de aula e até retornando com o sistema analógico de aprendizado em sala de aula. A própria ONU preconiza aos países do mundo que revejam o uso da Internet na educação, para que diminuam a intensidade e delimitem sistemas que de fato estejam associados com o aprendizado propriamente dito.
Estas atitudes de recuar diante da tecnologia e a Internet em sala de aula se deram pelos resultados catastróficos que estes países observaram na capacidade de aprendizagem. Houve retrocessos na evolução do potencial cognitivo das crianças. Isto porque o processo de aprendizado se dá no contato, do fazer, da busca. E, de alguma forma, a Internet, com suas múltiplas ferramentas, acaba favorecendo para que os alunos tenham tudo muito mastigado. Lógico que, não significa que nestes países as escolas não terão momentos de manuseio da Internet, mas este processo está dentro de laboratórios específicos para isso.
Agora, o maior dilema é que os pais não estão preocupados em monitorar o uso da Internet e o acesso aos aparelhos tecnológicos que facilitam este acesso, já que também estão dependentes desta tecnologia. Pelo que tenho observado em ambientes coletivos e narrativas familiares, os próprios adultos se encontram mais dependentes do plano online e suas redes de conexões do que as crianças.
Sendo assim, liberar as crianças sem critérios de limites também é um meio de não serem questionados pelos próprios filhos, pois estes percebem quando a regra do adulto não condiz com a conduta. A falácia do “faça o que digo, mas não o que faço”. Crianças se rebelam contra falsos limites. E controlar o filho na Internet sem que os próprios pais tenham controle de si em relação a este instrumento é um falso limite inegável.
Cada pai, cada mãe, faz com e por seu filho o que acredita ser melhor. Mas é necessário lembrar, diante destas circunstâncias, que as escolhas de como educar e cuidar das crianças vão interferir diretamente no futuro delas. |
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