Quando ser mãe é passagemPublicado em 06/05/2026 Pensar o conceito Mãe não é tão simples como possa parecer, visto que há muitas formas de acessar a realidade da maternidade dependendo da realidade, do tempo, cultura e das relações de laços que se entrelaçam nesta configuração. Se perguntarmos para muitas pessoas o que é ser mãe ou o significado da palavra mãe, vamos nos encontrar com muitas definições, pois estamos diante de uma subjetividade decorrente de uma relação de significantes, na relação de cada um com o outro. E, ao mesmo tempo, no espectro social, vai se estabelecendo um imaginário estético de mãe que, na nossa realidade, está associado ao cuidado do filho. O estereótipo das matronas que dão a vida para o filho e que enxergam esta posição como o bem maior. Neste cenário que projeta culturalmente, esta condição é para sempre. Porém, sabemos que numa perspectiva de construção de uma Sociedade anti machista - graças ao crescimento das mulheres no mercado de trabalho, na produção científica e esportiva, e na entrada da mulher onde, até então, era reduto de homens - associado a luta dos muitos movimentos de mulheres em busca de igualdade de direitos em relação aos homens, podemos, sim, pensar a mãe como passagem, não simplesmente como condição perpétua. A transformação do papel feminino na sociedade Lógico que temos nossas mães, as quais referendamos como mães até a nossa morte. Nesta semana, estive na casa de minha mãe, que me gerou no seu ventre e me criou até eu sair de casa. Dona Aurora, 90 anos, mãe desde pelo menos seus 22 anos, continua sendo para mim e meus irmãos, a mãe da qual fomos gerados e nascemos. O que faz a condição de ser mãe ter uma conotação muito forte, pois todos fomos gerados por uma. Mesmo com aqueles que não puderam ter na mãe biológica a referência de cuidado, ainda há uma mãe neste histórico, conhecida ou não. Por isso que, hoje, mãe também é vista naquela que se coloca na presença materna, adotando legitimamente esta posição. O biológico em si não denota a condição de ser mãe, mas todo o entorno do envolvimento de uma mulher com uma criança. Mas, diante da ascensão da mulher na Sociedade, o ser mãe é passagem, etapa de vida com validade prescrita. E este tempo de validade vai até onde os filhos precisam de uma mãe. Quando os filhos seguem seus caminhos e tornam-se adultos, a função materna deixa de ser necessária. E aqui mora o vazio para a maioria das mulheres que ainda permanecem na posição de mãe para sempre, pois continuarão criando expectativas e atitudes de mãe em um cenário onde não mais se precisa delas enquanto mãe. Este risco de vazio, que gera sintomas de sensação de abandono, angústia e, muitas vezes, o choque conflitivo na relação com os filhos adultos, faz com que a mulher fique sem um lugar na Sociedade. A mulher para além da função de mãe Hoje, o protagonismo das mulheres (que tem gerado ações misóginas e feminicidas nos homens), faz-nos ver o ser mãe como passagem, etapa de vida. Desta forma, para que a maternidade não absorva toda a existência de uma mulher, é necessário cuidar do ser mulher que habita todas as mães. Desde o cuidado de si, até as projeções de buscas pessoais que possa desenvolver. Viver para além dos filhos. Pois, um dia, os filhos passam, e a mulher fica. Se a mulher só se fez neste referencial social de matrona e provedora, estará morrendo em si quando os filhos já não mais tiverem a necessidade dela. Celebrar o Dia das Mães é memorizar e agradecer o existir de cada ser humano. Mas ser mãe para sempre pode representar o sofrimento no paraíso de mil possibilidades. |
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