A interfantasmatização na vida conjugalPublicado em 11/06/2026 O conceito de Interfantasmatização foi cunhado pelo psicanalista conjugal Alberto Eiguer no livro “Um Divã Para a Família”*, no qual discorre sobre as influências que as famílias de ambos os cônjuges exercem na construção do vínculo amoroso como fator que pode ser motivo de fortalecimento ou destruição do casal. Na perspectiva de destruição de um relacionamento, a interfantasmatização se dá pelo fato do casal se constituir sem adentrar na história familiar um do outro. Dentro de um relacionamento que nasce no vulto de uma paixão e que não potencializou se quer conhecer as famílias. Quando o casal decide se unir plenamente e morar juntos, começam a aparecer comportamentos inesperados, com o agravante da interferência dos familiares. Porém, pode acontecer a interferência negativa mesmo o casal tendo plena noção dos familiares um do outro, com este conhecimento a serviço de ataques do tipo “...nossa, é grosso como seu pai...” ou “...medrosa como a sua mãe” quando o casal entra em uma briga. Entra-se num ciclo de atacar os parentes do outro ou negar a família do parceiro, impedindo vínculos. Construindo uma identidade conjugal própria Já no processo de suporte à estabilidade do vínculo amoroso no casamento, a interfantasmatização pode representar um elemento de alerta ao casal, para identificarem quais são as interferências familiares que estão manifestando no conflito conjugal. É o processo de conhecer para não repetir a história do outro, assim como de seus pais, irmãos e parentes. Quando o casal se encontra diante de uma cena regressiva - isto é, que os leva ao ninho de onde vieram - e se conflitam pela nova perspectiva de construir um relacionamento com identidade própria, param para observar a regressão e se recolocam na escolha que fizeram. Este processo de repetir a história dos pais ou familiares é quase que parte contínua do processo da estrutura psíquica de cada pessoa que, na relação conjugal, aflora mediante momentos de crises por diversos motivos e/ou sentimentos de perdas afetivas, etc. Podemos traduzir a interfantasmatização como os fantasmas que rondam a vida conjugal e que, se não forem revelados e confrontados, acabam virando fantasmas à espreita atrás das cortinas para assolar e fazer regredir - Como acontece com as crianças que, diante do terror noturno, correm para a cama dos pais. Se tais fantasmas ficarem no campo do terror, o casal não conseguirá entender que aquela fantasmagoria não existe ou não pertence a eles. Assim, a interfantasmatização é a interação e inter-relação dos inconscientes que coabitam conjugalmente. Diante de casais que, amadurecidos, já conseguiram romper com seus pais de forma emocional, a interfantasmatização pode representar um benefício. Um alerta para que o casal volte à sua escolha original de estarem casados. Mas, quando o casal não consegue ter autonomia diante dos familiares, ou não fizeram escolha livre para a vida conjugal prevalecendo a escolha por conhecimento tanto do cônjuge como de toda sua estrutura familiar, a interfantasmatização será como um filme de terror, em que a relação está sempre sujeita ao pânico e à pane completa. O papel da psicanálise na escuta do casal Muitos que tramitam na psicanálise como teoria e técnica questionam sobre a análise de um casal, geralmente porque nunca ousaram atender casais com o instrumento da psicanálise. Como atendo casais há pelo menos 38 anos, tenho plena convicção que a psicoterapia de base psicanalítica traz muitos efeitos de fortalecimento dos laços conjugais. Um dos principais elementos na análise é conduzir o casal a ouvir este processo de interfantasmatização para poderem elaborar crises decorrentes deste mecanismo. Quando o casal não tem medo de encontrar com os fantasmas de um e do outro. É deixar interfantasmatizar. Diante desta prática recorrente, não resta nada a dizer senão “Vida longa ao casal”. |
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