Adolescentes versus adultos mal-intencionadosPublicado em 13/08/2026 Pesquisas recentes têm revelado uma forte queda no processo de aprendizado dos jovens por conta do uso de IA ao redor do mundo, seja no ensino fundamental, médio ou superior, levando a um questionamento: Por quê estou iniciando um texto sobre exploração de adolescentes remetendo a pesquisas de perdas no processo de aprendizado? Isso se dá pelo fato de que é evidente que os adultos que estão por trás da tecnologia de informação exploram os adolescentes a partir do fascínio que é traço comportamental dos mesmos com inovações, pensando aqui no ciclo completo da adolescência entre a pré adolescência e a adolescência adulta (entre 11 a 22 anos). Além do fascínio pelas inovações tecnológicas, a necessidade de exercer a lei do mínimo esforço também é um fator determinante, visto que estudar gasta tempo e energia, requerendo muito esforço e dificultando a liberdade para o lazer. E esta característica é explorada para deixar os adolescentes dependentes da IA. Aqui, você pode pensar que isto é um grande exagero da minha parte. No entanto, aponto esta reflexão pelo viés improvável das percepções de exploração dos adolescentes, que por vezes nos leva a não ver as tecnologias como ameaça. Quando a tecnologia deixa de ser ferramenta e passa a ser dependência Sabemos que é pelas tecnologias que os adolescentes são conduzidos a vários tipos de práticas que conduzem à dependência, a maior delas sendo o uso das telas. Se há adultos que acreditam na plena capacidade dos adolescentes em fazerem escolhas livre e conscientes, sem regras e limites compartilhados e monitorados, principalmente com a emergência das tecnologias de inteligência artificial, é porque parece que já estão mal-intencionados em relação aos adolescentes diante dos enormes prejuízos para o processo de potencialidade ao aprendizado. Uma lógica de bestializar para explorar. Não é à toa que o Governo Federal está com muita dificuldade de fazer acontecer o ECA Digital (Estatuto da Criança e Adolescente). Mas, além das alterações de humor na adolescência inerentes à própria fase de desenvolvimento, também vem os sentimentos de carência afetiva, o que consequentemente traz o apelo à estética corporal com forte apelo libidinoso e à sedução dos adolescentes a partir de suas demandas afetivas para práticas abusivas sexuais. E a exploração sexual adentrando esta flutuação comportamental de alterações de humor por desafetos (principalmente no campo das relações familiares) quando associada à dependência e vulnerabilidade possibilitadas pelas tecnologias, leva a uma reedição moderna da história do Chapeuzinho Vermelho que é atacada pelo Lobo Mau. Rebeldia, independência e sedução pela transgressão Também há a exploração pelo traço de intransigência, rebeldia e luta por independência dos adolescentes, traços muito fortes que os adultos frequentemente enxergam como transtornos comportamentais, mas que são normais para a faixa etária. Daí a exploração tanto para a vertente das ideologias políticas quanto da transgressão criminosa. Muitos adolescentes são seduzidos às manifestações e reivindicações políticas sem, no entanto, terem clareza do que estão defendendo. No campo das transgressões, também tem os exploradores do narcotráfico que aliciam muitos adolescentes pela pura emoção que podem vivenciar e pela perspectiva de ganho material rápido. Ambos os perfis estão intrinsecamente ligados. Ainda podemos citar a exploração por meio das drogas lícitas e ilícitas, que traz uma sedução de oferta que atinge em cheio outro traço da adolescência, que é a demanda por momentos de leveza e estímulos psicoativos. E quem vive em uma realidade brasileira onde o cerceamento de drogas a adolescente é de fato cumprido? Quem está por trás destes ambientes de eventos que atraem os adolescentes, são adultos exploradores. A iniciação às drogas na adolescência aumenta drasticamente o risco de uma dependência patológica na vida adulta, onde o que poderia ser um lazer, um uso recreativo, vira dependência. Quando a fé é transformada em instrumento de controle Por fim, quero trazer a exploração religiosa de muitos líderes religiosos que se usufruem do apelativo moral e do pecado para aliciarem adolescentes a uma prática que beira o fanatismo. Esta isca está associada ao sentimento de culpa comum entre adolescentes por seus atos de rebeldia ou transgressão. Como a religião faz laço de vínculo no campo emocional/afetivo, vemos o pecado ser explorado como mecanismo de controle e adolescentes sendo explorados de diversas maneiras, tanto na doutrinação para serem pregadores ou até mesmo vítimas de predação. São múltiplas as possibilidades de exploração dos adolescentes, decorrente exatamente das diferentes transformações, instabilidades e incertezas pela qual passam por mais de dez anos de transição até a vida adulta. Desta forma, cabe aos pais estarem juntos e acompanhar, estabelecer diálogo de construção de referências de valores conforme acreditam e esperam a seus filhos. Assim, o impacto dos exploradores pode ser menor. Agora, se os pais também praticarem a exploração de adolescentes, especialmente ao ditarem regras rígidas que eles mesmos como pais não conseguem cumprir, ou que vivem em contradição de exemplos a ser seguido, aí não se pode esperar muita coisa. |
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