Quem está capturando seu desejo? Sobre dependência emocionalPublicado em 30/10/2026 O ser humano vive de desejos para além das necessidades fisiológicas. Comemos para nos mantermos, bebemos água por sermos um corpo movido a água e, com isso, precisamos manter a hidratação. Fazemos sexo por demandas fisiológicas. Porém, toda esta condição biológica humana, uma espécie que, antes de tudo, é animal, é movida por uma força subjetiva não palpável e não quantificável que é o desejo. Para além de nossas necessidades biológicas para o alimentar-se, degustamos comidas, formatamos paladar, escolhemos diferentes tipos de pratos, e isto em todas as possibilidades sociais. Não é porque alguém está empobrecido que não terá predileção por determinadas comidas. Preciso beber água, mas esqueço, podendo até não sentir sede. O sexo que aparentemente está dentro de uma necessidade biológica pode ser estimulado por demandas de identificação com o Outro, por uma força de sentimento indescritível, pois não basta sentir o odor de uma mulher na fertilidade para o homem buscar fazer sexo com ela, ou um simples olhar para o corpo de um home e sentir o odor do hormônio masculino para a mulher ter a vontade de fazer sexo com um homem, pois, no humano, estas necessidades passam por identificações e necessidades afetivas homo ou heterossexuais. Quando o desejo deixa de ser nosso? Se somos movidos pelo desejo, a questão que coloco aqui é: Quem está capturando o meu desejo, visto que nos tornamos prisioneiros do que querem que desejemos? Dentro de uma Sociedade pautada no consumo por meio da publicidade, somos direcionados a desejar o que mais nos aparece de forma sedutora. Desejamos nossos próprios desejos? Neste dilema, nos deparamos com frustrações entre o que somos, temos e o que nos é apresentado como ideal, perspectivas e projeções. Quem não deseja ficar rico? Lembro de uma pessoa que batia com os pés juntos e as mãos acirradas que ele estava feliz com o que ganhava e não queria ficar rico, porém estava altamente endividado em jogos de Bets. Aqui, entra o campo da dependência, em que, pelo desejo que não se fecha, que não se realiza, podemos cair em uma armadilha de dependência emocional, levando-nos à perda da autonomia em escolher, em fazer posição. Ao cairmos em um processo de dependência de algo, como se não fosse possível viver sem este algo, perdemos a autonomia e nos tornamos escravos da dependência que retorna a cada ato por não satisfazer o desejo. Um desejo que não é mais desejado, mas sim incorporado subjetivamente ao inconsciente e que repete, faz acreditar que o desejo está sendo realizado e volta a repetir por já imediatamente colocar-nos no vazio. As dependências emocionais podem estar vinculadas a uma demanda fisiológica associado com química, como álcool ou outra drogas; pode estar vinculado a pessoas, como no caso das dependências amorosas e inclusive sexuais (por exemplo, pornografia); até dependência por necessidades criadas para o dia a dia, como o uso do celular. A abstinência como sinal da dependência emocional Como saber que está emocionalmente dependente? Quando não se suporta a abstinência deste algo, desde um objeto a uma droga e/ou pessoas, quando diz respeito a paixões. É pela abstinência que se mede a dependência, associada a sintomas extremos de ansiedade, depressão, pânicos e até delírio, principalmente se a abstinência for compulsória. No fluxo de estarmos frequentemente sendo roubados de nossos desejos, dentro desta perspectiva de consumo e consequente prazer pleno, que vamos caminhando, acumulando dependências e nos fixando em alguma que nos derruba literalmente. Como o sujeito que parou de fumar e ficou dependente de balas de chupar. Bem melhor? Pode ser, mas a dependência mantém a pessoa no mesmo lugar de dependente. Um bom caminho para se perceber dependente de algo e fazer escolhas para não se permitir escravizar-se por uma dependência, construindo uma estrutura emocional de autonomia, é desenvolver o processo analítico, na qual a teoria e técnica da psicanálise pode fazer o caminho da busca por ser um sujeito(a) analisado(a). Isto porque a psicanálise vai ao encontro da subjetividade humana no seu processo de construção da estrutura psíquica, podendo fazer com que o desejo do indivíduo não seja roubado por terceiros. Assim, a Psicanálise pode representar um processo de prevenção para quem ainda não desenvolveu uma dependência emocional e/ou de tratamento para quem já está dependente, uma vez utilizada com clareza teórica e técnica. Diferentemente das técnicas terapêuticas comportamentais, as quais agirão para que o sujeito crie mecanismos de controle sobre a dependência, mas não remetem ao âmago da autopercepção, daí faz o sujeito se tornar dependente de uma técnica de controle. Você consegue identificar dependências emocionais em sua vida? |
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