As tramas da publicidade

Publicado em 17/05/2016

A publicidade é o mecanismo pelo qual torna-se público algum produto, com objetivo de que seja adquirido pela população ou incorporado como procedimento. Vemos publicidade de tudo quanto é produto e ideias. Desde um palito de fósforo, até um avião. Desde uma campanha preventiva de governo até doutrinas religiosas. Conhecemos o que vemos. E a publicidade é tudo o que faz dar visibilidade a algo. 

Nas tramas da publicidade, publicitários se utilizam muito de mecanismos psicológicos para fazer atingir a sua clientela alvo. Quando o produto é para criança, o apelo é pela ação e dinamicidade do produto. Por isto mesmo, vemos bonecas que parecem pessoas verdadeiras, pelo menos nas publicidades de mídia visual; ou alimentos que nos são apresentados com tanta cor e beleza, que só de olharmos na publicidade da vontade de comê-los.

Para que o público esteja suscetível a um anúncio publicitário é estratégico que a campanha publicitária tenha apelo emocional afetivo, daí a identificação com o produto ter maior chance de penetrar o pensamento do cliente em potencial, o usuário da mídia. Lembro, quando víamos as publicidades de cigarro, em que apareciam pessoas muito bonitas, joviais e atléticas em alguma ação de dar inveja, tipo: o cara conquistando uma linda mulher; o Cowboy dominando um cavalo no rodeio, etc. A identificação do público com a cena, que remetia a um desejo pessoal do cliente telespectador em ter sucesso com mulheres e homens e ser atlético e vitorioso podia levar a associação de imagem que aqueles que fumavam poderiam ter mais chance de atingir ao objetivo de sucesso. 

Por isto mesmo que a publicidade adora atingir pessoas que estão desprovidos da capacidade de auto perceberem seus limites pessoais ou que ainda são imaturas. Pois estão despotencializadas do processo de análise crítica do que vêem e tendem a incorporar com mais facilidade o produto ou ideia veiculada. Tanto que se um produto é voltado para uma clientela de classe sócio econômica mais elevada e com maior nível educacional, a publicidade terá que ser melhor elaborada, com estratégia mais inteligente. Do contrário, este público alvo não vai associar o produto com o seu nível econômico e educacional. Já observamos nas publicidades de massa, que é para todas as classes sociais, que elas seguem um apelativo que está associado com elementos da cultura e hábitos coletivos, como é o caso de campanhas de conscientização pública, principalmente na área da saúde.
 
Acho incrível algumas campanhas publicitárias que conseguem fazer com que uma marca seja incorporada no imaginário coletivo. Hoje mesmo fiz um exercício de percepção de incorporação de produto em um curso que ministrei para jovens no campo de sexualidade. Começava o refrão de uma música e deixava o público continuar cantando. A musica que puxei foi aquela da campanha publicitária do Banco Bamerindos: “O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindos continua numa boa ...” . Por incrível que pareça, a galera continuou cantando a música e eles mesmos nunca viram este banco pois já não existe mais. Mas a música ficou no imaginário daqueles jovens mesmo não tendo visto a propaganda.

Há o velho ditado no meio publicitário que o “produto que mais vende geralmente não é o melhor produto” , o que mais vende é o que teve uma melhor campanha publicitária em qualidade e intensidade. Também outro ditado do meio: “É melhor ser o produto em segundo lugar na preferência, pois se manter em primeiro requer contínuo investimento publicitário”. 

A Publicidade é algo que está contida no cotidiano de todos nós e não tem como fugir dela. Podemos sim nos prevenir para não sermos engolidos pelas campanhas publicitárias, desde que entremos nela com a capacidade de observar, avaliar e fazer nossa análise crítica. Assim saberemos não comprar gato por lebre e nem comer churrasquinho de gato pensando que é uma picanha. 


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