Tolerância Conjugal

Publicado em 24/05/2016

Uma das maiores dificuldades da vida a dois em um casamento é a capacidade de aceitar os erros e limites do parceiro e da parceira. A intolerância é um sintoma que pode levar casais a terem prejuízos em várias áreas do convívio conjugal. 

Ela se importa com aquele cacoete (mania) dele. Toda vez que manifesta aquela mania ela fica extremamente irritada e “desce das tamancas”. 

Ele por sua vez detesta aquela forma dela falar quando tem que exigir algo. Tem até vontade de “esganá-la”. 

Mas, salvo as exceções, os casais passaram por um período de conhecimento prévio, pelo namoro, noivado até o casamento. Muitos hábitos de um e do outro já eram intensos, mas foram camuflados pela paixão. 

Ele deixava roupas e toalhas jogadas pelo quarto. Mas tinha alguém, a mãe ou empregada que vinha atrás arrumando tudo. Ela chegou a ver este costume  quando foi na casa dele durante o namoro, mas a chata era a mãe dele (futura sogra na época e atual no presente), pelo menos a namorada assim imaginava. Hoje, ele parece que ficou pior e a chata passou a ser ela mesma como esposa. Na época dizia para si mesma que nunca ficaria fazendo do mesmo jeito da mãe dele, mas os hábitos dele não mudaram, aliás, piorou, e sua tolerância como esposa ficou abaixo de zero e quando ela tem de arrumar a bagunça do marido, fica extremamente irritada. Mas ela já sabia disto, mas o amor apaixonado adiou este olhar na época. 

Da mesma forma ele, que acreditou que sua esposa era forte e corajosa, mas toda vez que ela tem que ficar sozinha em casa por conta das viagens dele, ela corre para a casa da mãe ou toma psicotrópico para dormir. Ele fica com vontade de fugir do casamento e começa a imaginar outra possibilidade de vínculo amoroso, com uma mulher mais corajosa. 

As intolerâncias conjugais nascem quando queremos que o outro mude em atitudes na qual temos a certeza que não vai mudar, ou por que já faz parte da estrutura de personalidade das pessoas ou por que são costumes enraizado na cultura. 

Tenho indicado aos casais que escrevam uma lista de comportamentos que não gostam do parceiro ou da parceira e fixem na geladeira da cozinha (individualmente). Quando ela e ele realizarem algo que deixa irritada uma das partes, vai até a lista da geladeira e vê se aquele comportamento já estava escrito ali. Se já, não adianta irrita-se, já era esperado. É melhor que esta lista seja de comportamentos que já vem desde o namoro, pois assim o casal terá a certeza que não houve mudanças, mas sim que alguns comportamentos se repetem e simplesmente ficaram piores com o tempo. Isto pode ajudar o casal a entender que o outro no casamento não mudou, e desejar escolher um parceiro ou parceira diferente não vai resolver o problema, pois a fantasia de um príncipe ou de uma princesa só tem lugar nos contos de fada. Outra pessoa terá seus hábitos e comportamentos indesejáveis da mesma forma.

Aprendendo a lidar com a tolerância, pode até ser que manias antigas sejam eliminadas, pois será estabelecida uma parceria de ajuda para que um lembre ao outro das repetições passadas. Quem sabe, a partir desta atitude o casal aprenda a entender o outro e os comportamentos indesejáveis vão perdendo a relevância, fazendo priorizar o sentimento de amor e a escolha um pelo outro da forma que realmente cada um é.


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