Publicidade e bebidas alcoólicas

Publicado em 07/06/2016


A Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) divulgou resultado das pesquisas desenvolvidas longitudinalmente (ao longo de anos) com a questão da publicidade de bebidas alcoólicas na mídia com os seguintes dados:
 
- Idade que se inicia o consumo de bebida alcoólica no Brasil é de 14 anos;
- A maior parte dos acidentes de trânsito provenientes de consumo de álcool ocorre por indivíduos que bebem eventualmente;
- 35% dos menores de idade consomem bebida alcoólica ao menos 1 vez ao ano, sendo que destes 9,1% o fazem com freqüência;
 - As conclusões sobre a publicidade de bebida alcoólica foram: 
- Reforça a atitude pró-álcool.  
- Pode alimentar o consumo entre quem bebe.
- Pode desestimular a redução do consumo.
- Predispõe os jovens menores de 18 anos a beber;
   - 62% dos adolescentes informaram que são expostos diariamente às propagandas de álcool. 

A pesquisa revela que quando o telespectador identifica-se com o produto de marketing, predispõe ao consumo de álcool. Quando observamos estes índices, entendemos que nossa atual geração é conduzida ao consumo de bebida alcoólica, nossas crianças e adolescentes estão ficando pré-dispostos ao alcoolismo. 
Imagine como que a associação de imagem da cerveja em estádio de futebol ou financiando programas esportivos pode levar aos jovens a ideia de que cerveja não trás consequências negativas à saúde e que para ser esportista nada melhor do que uma cerveja para comemorar resultados. 

Também vemos como a publicidade de cerveja associa a garrafa e o líquido com mulheres esculturais e na sua maioria louras, como se ao tomar cerveja estivessem degustando e saboreando uma linda mulher. Consumo associado com erotismo, duas engrenagens prazerosas e alta potencialidade à dependência pelo prazer imediato que proporcionam.

Tenho atendido nos últimos anos muitos adolescentes que utilizam cerveja para conseguirem conquistar uma menina, pois se julgam tímidos e a cerveja libera. Assim também com as meninas, que para não ficar de fora do poder masculino acabam entrando no mundo da cerveja pela necessidade de disputa de poder territorial, tipo “se eles podem, eu também”. Mesmo a publicidade de cervejas serem associadas como coisa de homem usufruindo a mulher, elas acabam entrando no jogo. Aquilo que aparentemente é uma libertação feminina passa a ser mais uma dependência e submissão. 

           Se a publicidade de bebida alcoólica não for mais bem delimitada na mídia brasileira, veremos ao longo dos próximos anos emergirem  uma geração de alcoólatras muito superior ao que temos hoje. Trabalhar sobre a consciência ao consumo de álcool no meio juvenil torna-se uma missão quase que impossível diante da força da publicidade.


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