Seu filho não gosta de ler?

Publicado em 29/06/2016


      Existe uma grande fantasia na cabeça de muitos pais em torno da necessidade dos filhos de lerem livros. Com o processo educacional através da escola, criou-se a demanda de que ler um bom livro é fundamental. Mas na verdade o que vemos na prática é uma baixa procura por livros e poucos momentos em que os jovens estão se  retirando do seu cotidiano para ler .

     Dizem que aumentou a venda de livros no Brasil,  consequentemente poderíamos imaginar que o brasileiro está lendo mais. Contudo, observo que os livros estão sendo comprados pelo Governo para distribuição em escolas, e feliz das editoras que conseguem cair na graça do Governo para processos licitatórios. O detalhe é que estes livros estão empilhados nas bibliotecas, muitos nem saíram das caixas.

     Nas escolas, geralmente o estímulo para leitura surge das disciplinas de Português, Redação, Comunicação, etc. Os alunos são orientados à leitura para posterior prova de conhecimento do livro. A esperteza dos alunos está em ler rascunhos, muitos retirados da internet. Alguns, conversam com um ou outro colega que leu o livro que vai cair na prova,  e na hora inventam algumas ideias, e por incrível que pareça, tiram nota.

     Tempos atrás, um garoto me disse que tinha certeza que o professor não sabia nada do livro que iria cair na prova, pois inventou um punhado de baboseiras e tirou  nota 10. Outro aluno me disse que tinha certeza que a professora não lia nada mesmo, porque cada aluno tinha que escolher um livro, “já pensou, ela ter  lido todos?”, duvidou o aluno.

     Ler livro é sem dúvida uma das melhores maneiras de se forjar um excelente aluno. Há alguns anos um estudante pré-vestibulando, proveniente de uma pequena escola de Goiás, passou nas três principais escolas de engenharia do Brasil - UNICAMP, ITA e USP -. Ao ser entrevistado em um programa televisivo, para falar de sua proeza, o rapaz disse que o segredo do seu sucesso educacional estava no hábito de ler livros com frequência. Relatou que chegava a ler cinco a seis livros por mês. Este hábito adquiriu por ver seus pais lerem muito também, desde pequeno. Nesta experiência citada, os pais também eram leitores. Desta forma, a melhor forma de se fazer um filho ter o hábito de ler, é ser leitor também, independentemente se o filho está sendo.  Em ambiente onde os pais  são leitores, há maior chance de forjar filhos leitores.

     Da mesma forma, com os professores. Acredito serem poucos os professores que leem como hábito pessoal - como se estivesse escovando os dentes -. Não convencem ninguém a uma prática, se não  possuem a prática. Muitos professores vão dizer, “não tenho tempo, dou muita aula…”. Mas para quem têm o hábito de leitura de qualquer forma em qualquer lugar sempre haverá espaço para ler um bom livro.

     Tenho insistido com as escolas para deixarem de lado as múltiplas tarefas e trabalhos educacionais para a casa. Se no lugar colocassem muitos livros para os alunos lerem, com mecanismos inteligentes de se medir o nível de leitura desenvolvida pelos alunos, com certeza o resultado educacional  seria bem melhor. Vemos a prova do ENEM, nela o aluno precisa interpretar as questões, e muitas respostas estão nas próprias questões. Os vestibulares inteligentes estão exigindo muita interpretação dos candidatos, mais do que conhecimento e "decoreba". Só alunos com muita leitura de livros conseguirão ter proeza nos resultados destes grandes vestibulares.

    O Brasil é  subdesenvolvido no item livros. Nas casas dos brasileiros de classe alta, pouco se vê espaço para biblioteca, mas vemos muitos banheiros e cozinhas grandes. Imaginem como é nas casas das camadas populares, onde nem espaço para dormir se têm.

     Ver pais leitores em uma população de aproximadamente 70% de analfabetos funcionais, que só entendem a leitura básica, é um caminho longe de se ver resultados. Consequentemente, a cultura de cidadãos leitores é um processo para outros 500 anos.

      Mesmo assim é possível fazermos desabrochar leitores em condições desfavoráveis. É o caso de Dona Rosinha, mãe analfabeta, que pedia para os filhos lerem livros de história para ela, também romances e enciclopédias. Os seus quatro filhos são doutores formados em Universidades públicas, e com certeza ela é uma analfabeta só de conceito.




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