Só aprende quem perde

Publicado em 30/06/2016


No desenvolvimento do vínculo estabelecido na simbiose (relação de dependência absoluta do bebê/mãe/bebê) se estabelece a estrutura emocional na criança para a elaboração das primeiras perdas. A principal, e a perda do vínculo exclusivo com a mãe. 

Winnicott (1963) nos apresenta uma cena ilustrativa do processo de perda/separação: A criança espera pela comida e na sala da casa, ouve os barulhos produzidos pela mãe na cozinha que revelam a possibilidade  de que a comida está sendo preparada, logo associa que poderá esperar por mais alguns minutos porque a comida vai chegar e junto dela, a pessoa da mãe ou de quem cuida.  
Nesta cena observamos o início da construção da dependência relativa, isto é, a criança já consegue elaborar a sua espera. Nesta perda ou início de perda de dependência absoluta, a criança começa a desenvolver sua capacidade intelectual onde relaciona a fome pessoal com os ruídos na cozinha e sua capacidade de estabelecer um tempo de espera (aprende esperar; associa imagens e relaciona sons).  

Em um ambiente onde os pais assumem a identidade paterna e materna com uma frequência de ritmo e cotidianidade, isto é, frequência e estabilidade nas ações, a criança se coloca na boa relação com suas perdas iniciais. Pois antes, sua necessidade era prontamente suprida na relação de dependência absoluta e agora não. Na dependência relativa, a criança começa a aprender a ver-se diferenciado de sua mãe e de seu pai e consegue estabelecer uma relação de espera. Espera daqueles que possuem a frequência da presença para oferecer.

O primeiro sinal que a criança dá que leva-nos a ter a certeza de suas percepções no mundo é a ansiedade. Pois a ansiedade nasce, quando a criança deseja ver realizadas suas necessidades básicas e ao mesmo tempo tem precisão da presença materna/paterna para suprir estas necessidades que não vem no tempo esperado pela criança. Esta, percebe este distanciamento e inicia o processo de elaboração de perda com a figura materna. 

Este processo de perda se dá entre  seis meses a dois anos. Sendo nos seis primeiros meses com mais intensidade na relação direta com a mãe e depois com o pai entrando na percepção do bebê com mais clareza. Isso reafirma a necessidade da mãe estar com seu bebê nos meses iniciais de sua existência. Se este estágio for regido por um ambiente de presença afetiva estável, torna-se mais fácil a separação do bebê de sua mãe, liberando-na ao trabalho e a outras tarefas que a possibilitam de ficar distante do bebê por um período mais longo. Exatamente quando as mães  poderiam voltar  a trabalhar com menos sentimento de culpa.

            Assim, observamos que todas as perdas ao longo da vida do ser humano são favoráveis para o processo de aprendizado. Perder é favorável para crescer.  

                                                                                                    


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