O Sentido da Vida

Publicado em 05/07/2016


Qual é a percepção que temos  de nosso existir enquanto pessoas?

Se analisarmos os motivos pelo qual vivemos, muitas vezes nos deparamos com a triste constatação de que estamos apenas sobrevivendo. É o trabalho que nos trás o sustento, são as preocupações com os filhos, a convivência familiar, dentre outras circunstancias. Como dizia uma criança: “A gente nasce, cresce, fica velho e morre”. Nesta unilateralidade entre nascer e morrer, o que nos restará serão sete palmos abaixo do chão e em poucos dias nosso corpo será saboreado por microorganismos. Assim, a vida perde seu sentido.  Nos restará apenas nossa estrutura óssea.

Será que vale a pena viver nesta perspectiva? Com certeza não, pois a vida vale mais.


Redescobrir o sentido da vida é fazer o exercício de ligar o ontem, o hoje e o amanhã em uma percepção que somos o evoluir de uma história da qual fomos convidados a participar pela própria biologia humana, que selecionou a cada um de nós desde o principio da fecundação. Vencemos a primeira batalha da vida por termos chegado ao primeiro lugar na corrida dentre milhões de sementes masculinas, os espermatozoides. Podemos dizer que já nascemos vitoriosos. Por isso, vale a pena resgatar o capítulo primeiro do livro de Jeremias na Bíblia: “Antes que te formastes no ventre de sua mãe,  eu te conhecia, eu te consagrei ...” É sempre bom lembrar que a fecundação acontece nas tubas uterinas, antes do útero/ ventre. Convidados a vir ao mundo de forma vitoriosa, nossa vida abunda de significados, de sentido. Assim, não podemos viver apenas pelo existir. 

Passar por este mundo terrestre sem ter construído história pela preservação da vida e construção da civilização do amor, é viver apenas pelo existir. Estar no mundo, fazendo acontecer o Amor e a Vida, é uma forma de estarmos dando sentido à nossa vida e ao mesmo tempo estarmos em pleno agradecimento por termos sido escolhidos. 

A sobrevivência nos coloca diante do cotidiano na mesma perspectiva de um animal que não escolhe viver a vida da forma que deseja, pois como animal foi codificado geneticamente a seguir seu registro genético, vivendo por repetição conforme a espécie específica. Nossa diferença é que mesmo tendo sido selecionados biologicamente para vencermos a primeira corrida pela vida, com o passar dos anos precisamos escolher nossas condutas. Viver na condição humana apenas reproduzindo a necessidade da sobrevivência, nos coloca diante de um vazio existencial.

Escolher estar no mundo fazendo a diferença de multiplicar ações que nos permita irmos para além do fisiológico. Que nos faça pensarmos em felicidade, amor, cuidado. Quando vemos pessoas muito ricas, que poderiam fazer de tudo, usufruindo de todos os benefícios que o dinheiro pode  oferecer mas sem alegria e apenas acumulando riquezas sem usufruí-las, chegamos a esta certeza que a vida vai além das questões materiais.

       Na projeção do encontro com os nossos semelhantes, podemos ter a melhor aproximação do principal sentido da vida para nossa espécie humana. Pois nesta empreitada nos aproximamos da nossa principal vocação que é se encontrar. Provocar encontros e proporcionar em nosso meio e em nosso planeta, casa na qual fomos designados a cultivar para continuarmos a existir, o ambiente que seja agradável viver. Se por enquanto não descobrimos nenhum outro animal com mais recursos cerebrais que o nosso, podemos entender que o maior sentido de nossas vidas é de fato cuidar principalmente deste habitat. Uma grande missão, para nós que fomos agraciados com um cérebro mais evoluído. Viver entre os animais neste ecossistema, criando harmonia entre as espécies é nosso legado. Mas só conseguiremos esta integração primeiro  nos unindo como pessoas, cidadãos unidos neste mesmo objetivo.




Compartilhe:

 




Visitas: 370

Entre em contato