Do seio materno à TV

Publicado em 12/07/2016



 

O ser humano é uma espécie que só se desenvolve a partir do encontro com o outro ser humano. Caracterizando assim a maior vocação humana que é para o encontro. Existimos na medida em que nos encontramos. Um bezerro até consegue sobreviver logo após o parto sem a presença da vaca, mas o bebê necessita dos braços de um adulto, (pais ou quem cuida) para continuar o amadurecimento de alguns órgãos vitais para sua existência após o parto, como é o caso do cérebro, que necessita de aproximadamente mais 180 dias após o parto para se constituir propriamente em cérebro com todas as suas funcionalidades. 


        Nesta relação de amadurecimento, bebê e mãe estabelecem uma profunda interação em que desenvolve o processo de vínculo amoroso, onde a estrutura básica de afeto dar-se-á nos primeiros anos de vida. E neste estabelecimento de vínculo, muito bem estudado pela psicanalista Melanie Klein o bebê terá no bico dos seios materno o seu primeiro objeto transicional, que representa o meio de ligação entre o bebê e a mãe conforme definiu posteriormente Winnicott.  Podemos associar como se o bico dos seios fosse o primeiro brinquedo da criança, onde ela aprende a estabelecer os primeiros processos de separação com a figura materna. Logo ao nascer, criança e mãe estão cindidas e o bebê relaciona-se como se a mãe fosse uma extensão dele. Por isto que o brinquedo e o brincar é a comunicação do bebê e posteriormente da criança com o mundo (Raquel Soifer). Podemos dizer que a criança conhece o mundo brincando. 
 
Para se comunicar o bebê nomeia um elemento intermediário, de mediação (mídia). A primeira mídia humana (o bico dos seios da mãe) evolui para os brinquedos e para os diferentes formar da mídia (mediação). Assim, não conseguimos viver sem comunicar-nos, e consequentemente sem os instrumentos de comunicação que hoje se da nas diferentes formas de mídia (TV; rádio; on-line; celular; imprensa; etc.). Quando crescemos, o bico do seio passa a ser a mídia, por mediar a relação entre os seres humanos. 

Por esta necessidade de comunicação, os  MCS (Meios de Comunicação Social)  torna-se uma disputa de poder. De qual grupo vai deter o controle nas interações humanas. Todos os setores da sociedade conseguem associar o quanto é importante os meios de comunicação para a existência. Tanto que o valor de espaço publicitário nas diferentes mídias é caríssimo.

           Suprir a necessidade de interação humana para além dos MCS, priorizando as relações e os contatos, pode ser um caminho para nos prevenir da possível dependência eletrônica. Quando pensamos que já estamos crescidos e evoluídos, podemos nos deparar com apegos na vida adulta que podem representar a simples transferência das necessidades infantis sutilmente vivenciadas pelo adulto de forma camuflada. Dos seios aos equipamentos eletrônicos midiáticos.Ainda hoje, a principal delas é a TV. Por isso mesmo que o cachorro é o principal amigo do homem, e a TV é sua principal amiga.






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