Mentiroso ou desejoso

Publicado em 18/07/2016

Após fazer minha corrida corriqueira, esbaforido por ter corrido cinco quilômetros e meio, ao chegar em meu condomínio tive o seguinte diálogo com o porteiro:  

Porteiro (em tom de brincadeira): “- O senhor está suado, ehm! 
Eu: “- Pois é, para quem correu seis quilômetro em trinta minutos, não é pra menos”, respondi.

  Após ter dado esta resposta logo falei baixinho para mim mesmo: “- mentiroso...”

Comecei a refletir sobre esta resposta ao porteiro e conclui que não estava sendo mentiroso, mas apenas desejoso. Falei do que quero realizar dentro em breve, correr seis quilômetros em trinta minutos.

Assim como descobrimos que as crianças não mentem, inventam; e os adolescentes também não mentem, mas criam situações; nós adultos muitas vezes não mentimos, encobrimos verdades. Porém hoje descobri uma melhor, que estas mentirinhas bobinhas que às vezes somos protagonistas, na verdade são manifestações inconscientes de desejos a serem realizados. Às vezes a pessoa diz na roda de amigos que está tendo relação sexual com boa freqüência com a esposa, mas na verdade realiza duas: uma na semana da pátria e outra na semana santa. Contudo, esta ação revela um sujeito que na verdade que expressar o seu desejo desejo de ter maior índice de atividade sexual, que na prática não está acontecendo. Também tem aqueles que dizem que estão ganhando bem, para não ficar mal dentre os familiares, principalmente em reuniões de final de ano, alguns alugam até roupa de marca e carro importado, mas no fundo estão dizendo do desejo de ganhar mais. Nestes dois casos as "mentirinhas" funcionam como a exposição involuntária de desejos inconscientes. 

Eu, pela experiência que tive, sei que estou com um grande desejo de correr como antigamente. Na época de cursinho, corria quinze quilômetros em uma hora sem cansar, mas hoje tenho 52 anos, não dá mais, mas o desejo está me fazendo cometer ato falho, e dizer ao porteiro que corri mais do que o normal.

Podemos entender o porquê muitas vezes caímos nas tramas do inconsciente e falamos coisas mais do que desejamos ou fantasiamos do que realmente estamos vivendo. Mentir nunca será algo a se chamar de bom, contudo é esse desejo de fantasiar o que estamos realmente vivendo que nos aproxima das crianças. E isso é muito bom, pois ficamos sempre com esta pequena criança dentro de nós. 


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