O discurso é voluntariado, mas a prática...

Publicado em 20/07/2016

Dizem que no Brasil as pessoas são solidárias. Que este é um país abençoado por Deus, e bonito por natureza. Se compararmos o nível de voluntariado do Brasil com a Suécia, teremos uma desproporcionalidade tremenda. Na Suécia, cada adulto participa de pelo menos três conselhos, de forma voluntária. No Brasil, para cada cem adultos, dois possuem uma participação voluntária. Dessa forma, quando comparamos o nível de qualidade de vida e desenvolvimento econômico dos dois países, vamos notar também, uma absurda diferença. Lógico que dizemos que somos melhores do que eles na ginga, na alegria, que aqui não têm terremoto, etc.

As ONGs no Brasil estão sendo questionadas pelos desvios de verbas por parte de muitas delas que acabam favorecendo seus diretores. Enquanto muitas organizações humanitárias da Europa movimentam-se para arrecadar verbas para projetos no terceiro mundo as distribuindo inclusive para algumas ONGs do Brasil, estas por sua vez, não possuem transparência nas suas prestações de contas.

Se formos rastrear os trabalhadores de entidades filantrópicas no Brasil, veremos que são poucos que estão atuando de forma voluntária, geralmente são funcionários. Cabe a um grupo reduzido de pessoas assumindo compromissos voluntários. Uma diretora de uma creche filantrópica dizia-me que os funcionários da creche só participavam de atividades aos finais de semana se fossem remunerados, e pior ainda, só faziam cursos durante a semana. Vemos este fenômeno acontecendo em muitas instituições religiosas e comunidades. Um grupo reduzido de voluntários.

Tudo bem que temos apenas quinhentos anos. Quando visitamos países da Europa, vamos a templos ou museus que só a construção é datada de 2000 anos para mais. Estamos no começo, mas um começo preocupante, em que desperta na sociedade dependências  para com os gestores públicos (POLÍTICOS). Estes que não fazem nada de graça, em eleições são os mais voluntários de todos, mas sabemos os motivos, o principal deles, uma facilidade muito grande de desvio da verba pública, quando se assume um cargo público.

Sociedades que já chegaram à estabilidade econômica e social, com qualidade de vida, conquistaram direitos através da participação da população, na forma do voluntariado, não ficaram esperando por um salvador da pátria. Os milhões de benefícios distribuídos pelo atual Governo Federal, sem investimentos de formação e fomento de produtividade, vão contribuir ainda mais para que não aumentemos os índices de participação voluntária no Brasil. Vamos continuar dependentes, por quem sabe, mais outros quinhentos anos.

Só por meio de projetos em que as pessoas participem diretamente de suas elaborações, fomento e acompanhamento, que veremos o despertar de pessoas desejosas em dar sua contribuição voluntária em benefício de todos.

Conheci um exemplo muito bacana do voluntariado e como essa ação repercutiu de form positiva para uma cidade. Cito o investimento feito em uma cidade do estado do Rio Grande do Sul , Crissiumal, onde há 15 anos realizou-se rastreamento do que a cidade poderia produzir para ser auto-sustentável, sendo um município de vocação agrícola. Conseguiu reerguer as economias das famílias na forma de pequenas Cooperativas, pelo espírito associativo e cooperativo. Hoje, o município já recebe aproximadamente cinco ônibus de turistas por semana, através de investimentos no agro turismo e deixou de ter na soja sua principal fonte econômica, pois a soja favorecia um pequeno número de agricultores. Com uma nova visão participativa, a cidade está vivendo o resgate da reintegração do ser humano no campo. Lá, os moradores podem até contar com internet grátis, mesmo no meio rural. A solução nasceu da participação.Para conhecer os produtos derivados do programa de geração de renda do município de Crissiumal-RS, entre no site: www.pactofontenova.com.br 

É pelo envolvimento e participação na vida pública, que veremos o Brasil emergir para a condição de nação realmente desenvolvida. Por enquanto vamos cantando refrões da felicidade globalizada: “abençoados por... e bonito por natureza”.



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