Quando sei que um filho é hiperativo? - Sobre TDA- H

Publicado em 28/07/2016


O transtorno de déficit de atenção (TDA-H) virou moda diagnóstica.

Quando pais ou profissionais de educação, da psicologia ou da medicina, não fazem uma boa leitura do contexto em que está inserido a criança e o adolescente, a tendência é “taxar” com alguma patologia.

Antigamente, os problemas de dificuldade de aprendizado transformavam-se em quadros neurológicos com a tal da “disritmia”. Hoje a moda é dizer que o sujeito possui uma hiperatividade.

Como a internet abriu um leque enorme de possibilidades, todos que procurarem alguma patologia logo encontrarão. Nestes dias um adolescente me abordou dizendo que era hiperativo, tinha entrado num site que falava sobre o tema e identificou vários itens que dizia a seu respeito. Lembrei ao garoto, que quando estudava psicologia, nas disciplinas de psicopatologia, sempre encontrava várias características de comportamentos desviantes em mim. Não que eu não tenha alguns, mas não a ponto de enquadrar-me em todas as patologias. 
 
Na verdade, desconfiem de diagnósticos de problemas de aprendizado que são concluídos em consultas médicas super rápidas. Lembro-me de um diagnóstico neurológico que definia um adolescente com hiperatividade, e dentro de três meses o sintoma havia desaparecido. Lógico que não era hiperatividade, pois se assim fosse, não conseguiríamos ver resultado em menos de dois anos de uma intervenção de pelo menos duas vezes por semana, com monitoramento medicamentoso neurológico, intensa orientação à família e muita presença de instrução junto à escola.
A hiperatividade é compostas por uma série de comportamentos que leva o portador a não fixar-se em atividades que requer concentração por períodos longos, aliás, por quase período nenhum. O sujeito nem se quer consegue ficar diante da T.V. ou computador por muito tempo, e desenvolve atividades múltiplas sem parada. Não param e inclusive nem dormem direito. No consultório é fácil detectar um hiperativo, logo de cara derrama todos os brinquedos para brincar e não brinca com nenhum, mas temos que tomar cuidado na observação deste comportamento, porque ele deve ser constante.

Hiperatividade atinge um contingente de aproximadamente 4% das crianças. Por isso temos que tomar muita cautela ao diagnosticar, pois podemos estar criando estigma em pessoas que as vezes o próprio ambiente familiar é sem estrutura. Patologizar um no meio familiar ou escolar é um caminho mais fácil para que o todo não veja os problemas de cada envolvido. Cada pessoa tenta tirar sua responsabilidade da reta. Assim é mais fácil o professor tirar o aluno da sala de aula, os pais medicarem o filho agitado e os profissionais de saúde se sujeitarem às condições impostas pelos pais.

Antes de dizer que seu filho é hiperativo, faça um bom diagnóstico, de preferência com um olhar interdisciplinar, tendo a posição do Neurologista e de um Psicólogo com experiência em Psicopedagogia. Medicar apenas por medicar é correr o risco de estar destruindo a vida de futuros gênios, e matando a criatividade de nossas crianças.


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