Separação conjugal e anos de tortura

Publicado em 08/08/2016

A separação conjugal quando imatura, leva de 25 a 30 anos para ser elaborada emocionalmente pelos parceiros envolvidos. Parece que os fantasmas do período em que estavam vivendo juntos revitalizam-se. Não se preocupem com a ideia de fantasmas, eles não existem. Mas a "INTERFANTASMATIZAÇÃO" existe. Ela é um fenômeno psicológico que revela as fantasias existentes na pessoa a partir de seu histórico de vida. No caso dos casais separados, a "interfantasmatização" revela as fantasias do casal que ficam fixadas em cada parceiro após a separação, de fatos e experiências vividas juntos.

A separação conjugal imatura, aquela tocada a pleno processo de crise e ataques, fica rondando a mente por muito tempo, até os filhos do casal separado recebem influência sobre esta história vivida, muitas vezes e na maioria dos casos pelo desejo dos filhos de verem seus pais se restabelecendo no casamento, com o intuito de que vivenciem uma vida conjugal sem conflitos. Há muitos casos em que as crianças ficam fantasiando que o motivo da separação são elas, ai criam patologias provocando o encontro dos pais.

O pior, é que 99% das separações conjugais são imaturas, tocadas por um longo período de sofrimento após separação. Lembre-se, de 25 a 30 anos de sofrimento.
A separação conjugal é tão complicada, que levou uma das maiores Psicoterapeutas familiar no mundo, a Psicóloga Forence dos Estados Unidos, a afirmar em um congresso no Rio de Janeiro, na qual eu estava presente: “… separação é tão complicado que as vezes é melhor viver o conflito conjugal e buscar caminhos de resolução dos problemas. Muitas vezes, separar é padecer no paraíso…”

Psicoterapia conjugal é um dos melhores caminhos para casais reencontrar os motivos de se terem escolhidos, mas dificilmente os casais em separação procuram ajuda. Outro dado interessante, é que quando um casal está em crise conjugal, os amigos que são casados se afastam. Eles ficam solitários na crise. Sabe por quê? Simplesmente porque a crise de um casal leva a fazer emergir a crise dos casais que estão ao redor, despertando também neles o desejo da separação. Ai, o melhor caminho é se afastar daqueles que estão em crise. Há uma forte indução midiática pela separação, como se casamento fosse algo ultrapassado, que restringe a liberdade. Assim, um casal em crise, faz emergir o desejo coletivo de rompimento.

Ao longo dos anos, tenho atendido a muitos casais que antes de executarem a separação procuram uma orientação para que o processo não seja traumatizante, principalmente quando tem os filhos. E por incrível que pareça, o número de casais que se reconstituem nesta busca é altíssimo. Na verdade, ao longo de 25 anos de carreira profissional, não tive um caso se quer de separação. Houve apenas reconciliações. Pelo menos naquele período da busca. Fica difícil saber depois, como os fatos evoluíram. Este resultado é decorrente de uma clínica que não tem uma visão unilateral de que casamento é para sempre. Ninguém merece viver em um inferno astral, ou sofrer no paraíso. Mas o processo de orientação, desprovido de preconceitos ou julgamento por parte do psicoterapeuta, acaba provocando um reencontro com os verdadeiros motivos que provocou a união conjugal, e depois, aquele problema manifesto, responsável pelo desejo da separação, pode ser dissolvido diante da percepção do grande sentimento que um nutre pelo outro.

Assim, antes de executar uma separação, o melhor caminho é procurar uma boa ajuda terapêutica. Pois a separação mal feita e imatura é um passo para longos anos de sofrimento.


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