Vida Conjugal e Filhos Adolescentes

Publicado em 29/08/2016

A vida do casal quando os filhos entram na adolescência, carrega algumas mudanças na qual o casal deve estar muito atento para não gerar outra crise conjugal ou quem sabe o rompimento de vínculo.


A adolescência carrega em si o legado da mudança, mudança no adolescente, desde física até social e afetiva. Mas mudança também  nos pais dos adolescentes. Até então na condição de crianças, os filhos estavam sujeitos aos desejos dos pais. Para onde os pais iam, eles iam atrás. Depois, as atividades dos pais já não fazem mais parte do padrão de conduta dos adolescentes. Os pais passam a ser caretas, conservadores e antiquados e eles, adolescentes, passam a ser a bola da vez. A vida vale pelos amigos e grupos de iguais. Frequentar as mesmas festas e residências que sempre estiveram acostumados a frequentar com os pais já não cabe mais. Há um rompimento no relacionamento, e se os pais passaram a vida toda apenas ligados aos filhos, terão que amargar este vazio, pois os adolescentes querem estar com outros adolescentes. Se forem forçados a estarem com os pais, o fazem geralmente com um forte mal humor.


A crise no casal cresce na medida em que encontra cada um na relação com imaturidades pessoais dos projetos que pensaram no passado e não vingou. Pensavam em ter seguido uma profissão e não seguiram. Acreditaram que a paixão que os uniu na vida conjugal permaneceria por toda a vida, mas não permaneceu. Imaginavam que seus corpos não sofreriam mudanças com o tempo, mas sofreram. Enfim, todas as frustrações possíveis que o casal possa estar passando e que se encontra com os filhos adolescentes que estão no auge do possível corpo sarado, projetos audaciosos e potencialidade crítica a flor da pele. Pior ainda, quando os pais não tiveram tanta oportunidade de estudo na mesma proporção que deram aos filhos. Assim, a vitalidade do menino ofusca a rotina mórbida do pai, e a exuberância estética e hormonal da menina, trás um terrível sentimento de inveja na mãe.


Na ordem sexual, se o casal está com a libido adormecida, e a criatividade sexual está em baixa, o conflito se estabelece quando chega a hora de se colocar os limites nos filhos que estão em uma fase de pleno desejo sexual. Aqui aparecem as diferenças de época, religiosas e inclusive de valores sobre a vida sexual. Ontem a visão monogâmica e heterossexual da vida conjugal, hoje a visão poligâmica e relação de gênero, onde a homossexualidade toma conta do cenário existencial dos adolescentes, assim como a bissexualidade.


Outro conflito que pode gerar muitos rompimentos de vínculos é do aspecto moral. Quando o casal se estruturou em regras e normas sociais durante a infância dos filhos  e que na adolescência os filhos começam a questionar. Principalmente quando os pais não são coerentes entre o que pregam e o que vivem. Como aconteceu com São Francisco de Assis no passado, e como aconteceu com alguns nomes famosos contemporâneos que a bibliografia atesta como é o caso de Cazuza no conflito com seu pai e o escritor Paulo Coelho que foi até internado pelos pais em uma clínica psiquiátrica e teve que fugir para preservar sua sanidade.


Para viver a adolescência dos filhos como casal, é preciso estar unido com o cônjuge, e acima de tudo desapegado da ideia que a vida no casamento vale pela existência dos filhos. Freud já nos alertava que um filho só cresce para se tornar autônomo e independente dos pais, se conseguir matar seus pais internamente, simbolicamente.

A adolescência é um tempo de ensaio da liberdade dos filhos. Não significa com isso que os pais precisam deixar os filhos adolescentes seguir o caminho próprio livres de limites. Lógico que não. Cabe aos pais simplesmente entender a normalidade dos processos de separação dos filhos em relação aos pais. Assim como os próprios pais um dia já vivenciaram. Estar junto, respeitando as diferenças, as linguagens e os movimentos de autonomias. Anormal é ter os filhos adolescentes presos aos pais e sem diferenças de comportamento em relação aos pais. O que aparentemente seria uma boa coisa e uma tranquilidade aos pais, pode estar sendo um sintoma de repressão e isolamento do adolescente.




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