Quando o filho aposta na separação dos pais

Publicado em 30/08/2016


No crescimento dos filhos, principalmente na adolescência onde desejam mais liberdade e com isso a quebra de limites, emerge em muitas famílias um processo que parece ser muito estranho, mas, no entanto é muito natural. O filho ou a filha tenta levar os pais à separação, pois desta forma poderá ter seus desejos facilmente conquistados, por um lado ou por outro.

Para falar sobre esse assunto, vou usar um exemplo real  que encontrei em um processo terapêutico em que a filha investia intensamente na separação de seus pais. Uma menina, adolescente, inserida em um grupo de amizades, até aqui tudo normal. Mas esta menina ao passar eventualmente alguns finais de semana na casa de algumas de suas amigas, cujos pais eram separados, percebeu que só ela  tinha alguns limites, impostos por seus pais, enquanto suas amigas de pais separados podiam fazer o que bem entendessem. Na sua casa, ela ia pedir algo para a mãe que fosse fora dos padrões educacionais da família, a mãe pedia para falar com o pai, e o pai por sua vez pedia para falar com a mãe, até que o "não" acontecia em uma só voz pelo casal.

A menina percebeu que se investisse na separação dos pais, poderia fazer com que na sua casa acontecesse o mesmo que acontecia na casa de suas amigas com pais separados. Quando pedia para a mãe e esta colocava limites, ligava para o pai que morava em outra casa e este deixava e vice versa. Lembrando que isso acontecia, principalmente, com as amigas onde os pais tiveram uma separação imatura tocada a conflito e sem diálogo educacional entre os pais após a separação.

Neste caso, a menina apostou em fazer aparecer uma possível traição da mãe em relação a seu pai. A sua mãe era professora universitária e convivia com muitos alunos e professores. Numa festa que sua mãe dera na sua casa, a menina observou que havia um aluno que ficava muito próximo de sua mãe, com cerveja para lá e acolá. O pai na churrasqueira. A menina procurou pelo celular da mãe possíveis conversas nas redes sociais com algum outro homem, e de fato encontrou algumas trocas maliciosas e libidinosas com este aluno, mas nada que confirmasse que a mãe estivesse tento uma relação extraconjugal. Imediatamente a menina gravou as conversas e enviou ao pai. Imaginem o conflito que tudo isso gerou. Quase seus pais se separam. A menina, após o conflito o qual havia sido protagonista pediu aos pais um suporte psicológico, pois estava com forte sentimento de culpa por ter sido a provocadora da quase separação dos pais. 

Neste processo, acionei os pais da jovem para colaborar com eles no sentido de perceberem o quanto estavam aprisionando a filha para eles próprios, e de alguma forma, o quanto estavam apenas preocupados consigo mesmos. Pois a mãe, era uma mulher muito atarefada na universidade e o pai sempre apegado aos negócios de sua empresa que não ia muito bem. De alguma forma, este distanciamento da filha fez com que ela começasse a se projetar em outros referenciais de família e de liberdade.

Neste caso, a jovem retornou ao seu núcleo familiar por que os pais não chegaram a separação. Mas sabemos que diante de conflitos como estes, quando os pais estão com a vida conjugal sem estímulo e sem motivação para estarem juntos, um filho pode sim provocar a divisão do casal, por intrigas, fofocas ou colocando um contra o outro, por questões sexuais, financeiras e de contradições comportamentais.



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