Masturbação sexual conjugal?

Publicado em 31/08/2016


Tenho observado uma forte preocupação de casais em relação às atitudes sexuais que são permitidas ou não para a vida conjugal. Uma delas é sobre a estimulação sexual do casal. É lícito ao casal estabelecer formas de estímulo sexual em vista ao bom desenvolvimento da atividade sexual no casamento? O que parece algo óbvio para o casal que escolhe fazer uma parceria conjugal, não é tão simples assim para a realidade de muitos casais.

Tenho me deparado com casais que procuram ajuda por que entram em conflito entre o que fazem na atividade sexual na intimidade do casal, e o que a religião que participam prega sobre o certo e o errado na vida sexual conjugal. A ideia de que entre quatro paredes a forma de vida sexual é liberdade do casal, parece não ser tão simples assim. Dentro de algumas doutrinas ou posturas da moral cristã, as orientações sobre a conduta sexual tenta restringir o sexo dentro de um espectro de pureza e de preservação que leva muitos casais a pontuarem conflitos e culpas diante de Deus na suas religiões.

Parece que há uma confusão entre o conceito da masturbação com a estimulação erógena conjugal. Muitos casais não desenvolvem estímulos recíprocos nos órgãos sensuais, ou não desenvolvem estímulos de sensibilização que julgam pornográficos, por que são orientados sobre o pecado. Como se não bastasse à escolha pela fidelidade, ainda os limites que devem ser seguidos do que pode ou não pode na vida sexual. Dilemas como:  não poder levar o outro ao orgasmo se não for pela penetração genital, como se apenas o encontro dos genitais fosse o caminho único e legítimo para o casal; a relação sexual oral como algo sujo pois a boca não é um órgão genital; ou a relação sexual anal por ser o anus um órgão para outros fins.

Sabemos que a masturbação é uma prática que se caracteriza pelo auto-erotismo, quando a pessoa estimula a si mesma para o próprio prazer genital. Tudo bem até aí, a reflexão da moral cristã querer colocar este limite na perspectiva do encontro. Não tem de fato sentido a estimulação da masturbação individual tendo a pessoa realizado parceria com o outro. Mas dizer que se uma mulher estimular genitalmente seu esposo levando-o à ejaculação ser uma forma de auto-erotismo  masturbatório  é ter um conceito de masturbação muito deturpado. Não existe a masturbação conjugal, existe sim a troca de carinhos e estímulos sexuais que podem colaborar para o prazer sexual do outro. E são vários os motivos que leva um casal fazer esta escolha, ou por que a mulher está impossibilitada de ter o encontro genital e escolhe satisfazer o desejo de seu marido ou por que o homem sente que sua mulher chega com mais facilidade ao prazer através da atividade oral ou sendo acariciada no seu ambiente vaginal.

Quando que uma atitude sexual conjugal pode caracterizar um problema? Quando há uma pressão por uma das partes para que o ato sexual seja de determinada forma. Por exemplo, o homem quer a todo custo que sua esposa libere o ato sexual anal, mas ela não consegue por sentir muitas dores ou achar muito desconfortável. Mas mesmo assim o marido impõe esta condição. Aí ele não está respeitando o limite dela, ocasionando sim uma disfunção sexual.

O certo para um casal está na escolha mútua e livre que fazem, respeitando o limite de cada um. O certo na vida sexual de um casal não pode estar em uma regra imposta por um líder religioso, onde se tenta impor ao outro o que pode ou não pode acontecer na intimidade de um casal. 

Às vezes me parece que o rigor teológico e as posturas radicais de uma moral sexual cristã, são impostos por pessoas que são muito mal resolvidas na sua sexualidade, que tentam impor ao outro o que eles mesmos não conseguem viver. E olha que a cada dia vamos observando esta verdade, das contradições no campo sexual daqueles que se colocam com rigidez e normas padronizadas para seus fiéis vivenciarem. Líderes religiosos que ditam regras contra a homossexualidade e que escondem seus casos amorosos com jovens do mesmo sexo. Líderes que ditam normas sexuais aos casais de suas igrejas e que muitas vezes escondem suas amantes á sete chaves. A repressão exacerbada é uma forma patológica de se expressar a sexualidade.

O corpo é dotado de múltiplas áreas erógenas que nos foi dada para serem exploradas pelo casal. E é essa a grande diferença e magia para a sexualidade conjugal. Criar comportamentos restritos na vida conjugal, em nome de uma falsa moral ou uma moral hipócrita, como denunciava Jesus Cristo aos fariseus, é passar pelo paraíso conjugal sem ter sentido a brisa do amanhecer e nem sentido o aroma das flores no jardim e muito menos apreciado o entardecer com o lindo por do sol. É passar pela noite sem vislumbrar os encantos do silêncio no brilho das estrelas. Esta rigidez moral é sequela farisaica de nossa religião judaica cristã. Acreditar nisso, é apostar na insanidade mental conjugal. Pois o casal que vive a vida sem desfrutar do encanto do prazer sexual, é um casal fracassado, doente e em franco conflito conjugal.
  


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