Paralimpíadas! Renasce a esperança na humanidade.

Publicado em 12/09/2016

Ao assistirmos as provas da Paralimpíada Rio 2016, observamos um desfile de cidadãos com diferentes tipos de necessidades especiais. Lesionados leves ou graves. Pessoas que no cotidiano não são notadas ou valem muito pouco para o imaginário do coletivo humano, principalmente nas sociedades regidas pelo consumo, beleza e onde o valor de estética é o bem maior para a auto-imagem pessoal.

Provas que exigem esforço que vai além do que podemos imaginar. Que ao assistirmos pela TV ficamos estagnados pensando “como conseguem?”. E conseguem, lutam, vibram e choram. Sorriem se abraçam. São homens e mulheres que resgataram a dignidade a partir do momento que escolheram praticar um esporte. Saíram do anonimato natural de quem porta uma necessidade especial. Como é o caso do Daniel e da Joana na natação que são pai e mãe e vivem uma vida normal, com dificuldades e desafios.

Algumas modalidades com categorias diferenciadas que permitem a participação de pessoas que são quase que mutiladas, onde você novamente se pergunta: “como conseguem?”.  Vi um atleta jogando tênis de mesa com a raquete na boca e sem os braços, ao sacar, jogava a bolinha para o alto com um dos pés. Vi um nadador batendo Record mundial com apenas uma parte do membro superior de um braço e sem o outro braço, ganhou praticamente batendo as pernas de forma impressionante. 

Para a realização da Paralimpíada, observamos um quantitativo muito grande de colaboradores para dar o suporte para cada atleta. Numa comissão de esporte coletivo vemos  o dobro de colaboradores. A estrutura logística do evento requer um quantitativo enorme de pessoas no suporte técnico. De fato, manter a Paralimpíada no calendário esportivo mundial é afirmar a política de inclusão para a humanidade. Pois coloca a todos que não possuem necessidades especiais a pensar numa sociedade em que somos iguais, independentemente da condição física.

Particularmente o efeito que a Paralimpíada causa em mim é a de me colocar com mais vigor diante da vida, pois possuo todos os recursos físicos para viver. E também me provoca a ver os portadores de necessidades especiais com um olhar menos piedoso, sabendo que são pessoas que possuem estruturas para se superarem.

Diante de tanta disputa por poder, riquezas, glórias, a humanidade vai se configurando em uma espécie que destrói a si mesma. As pessoas passam a ser peça descartáveis, principalmente se não produzem se não podem ser exploradas. É histórica a eliminação de pessoas com deficiências em diferentes culturas e regiões do planeta, desde os povos primitivos. A Paralimpíada vem para nos mostrar que incluir é possível e que de fato somos todos iguais. Reascende a esperança na humanidade, e o reencontro de nossa espécie para a sua maior vocação que é a de encontrar-se. Somo humanidade pelo coletivo. E o coletivo humano é o encontro das diferenças. Cada vez que tentamos excluir os diferentes formando guetos de iguais, mais destrutivos ficamos um para com o outro.

É preciso muita ousadia dos administradores públicos, nas suas mais diferentes representações, de investirem amplamente nos programas de inclusão dos portadores de necessidades especiais, tanto no esporte, educação, cultura e lazer.


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