O dilema da homossexualidade

Publicado em 19/09/2016

O tema homossexualidade está no cotidiano da sociedade. Nos ambientes religiosos temos a temática na crista da onda, como também nos meios de comunicação social.
Falar da homossexualidade é tarefa muito difícil, pois geralmente nos esbarramos com questões de ordem moral ou de postura ética. Mas sempre ao pensarmos a homossexualidade o fazemos “pisando em ovos”.

Da última vez que estabeleci um diálogo em público, foi com um senhor muito religioso, que a cada palavra condenava os homossexuais aos infernos, dizia de forma veemente: - “é pecado mortal…” , e cuspia no chão. Sua postura no debate deixava-me irritado, até que perguntei para ele o que faria se um de seus filhos se manifestasse homossexual, depois de adulto. Este senhor simplesmente disse que isto seria impossível, pois havia lhe dado uma educação Cristã. De imediato, uma pessoa manifestou-se dizendo que era homossexual e que seu pai havia reagido da mesma forma que a dele, com repúdio e decepcionado. Porém, entendia a postura do pai, mas que desde pequeno sentia reações diferentes em sua conduta sexual, lutava contra, pedia a Deus para se libertar dos impulsos, mas que  sempre sentia as mesmas coisas: atração por pessoa do mesmo sexo. Até que aconteceu uma situação inevitável onde deixou manifestar sua condução sexual. Mas esta pessoa apenas apimentou a conversa dizendo que seu pai também era muito religioso e por isso ofereceu aos filhos uma forte educação religiosa e mesmo assim ele, como filho, era homossexual. Mas o senhor, respondeu com agressividade ao rapaz: -“você é um pecador, e seu pai deve estar sofrendo por ter gerado um filho deste”. Diante de tamanha intransigência, todos se calaram e a conversa teve seu fim. 

A conversa teve fim, mas, depois de alguns dias, fiquei sabendo que um dos filhos deste senhor intransigente  estava namorando com um outro rapaz. Só não sei se seu filho ainda está morando com o pai.

Todo debate em torno da homossexualidade deve ter em pauta e foco o ser humano. Se não tomarmos cuidado, caímos no processo de discriminação. Sabe aquele tipo de discurso que  tenta reconhecer as pessoas como filhas de Deus e ao mesmo tempo as condenam ao fogo do inferno? Perguntam-me com frequência se a homossexualidade é doença. Respondo sempre que não. O código internacional sobre transtornos emocionais não enquadra homossexualidade como doença. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) definiu portaria onde os Psicólogos não poderão atender pacientes homossexuais para curá-los da homossexualidade. Isto porque, é muito comum pais colocarem filhos em psicoterapia para que os Psicólogos curem traços de homossexualidade. Em escolas vemos muitos professores comentarem com os pais sobre trejeitos afeminados de meninos na pré-escola: “Avaliem, pois vai que este menino vira gay…”. Não é por acaso que existe uma bancada de Deputados Evangélicos querendo fazer passar uma lei que garanta tratamento da “homossexualidade” pelo SUS; partem de conduta moral religiosa para uma definição de saúde pública. Desta forma estarão querendo instituir que os homossexuais são doentes.

Tempos atrás assisti a um debate de uma T.V. religiosa em que um cabeleireiro confirmava que havia curado sua homossexualidade. Ele estava de cabelo bem curto e tentava passar a imagem de machão. Mas dificilmente convencia alguém de que era machão. Inclusive, o programa errou feio ao querer associar homossexualidade com trejeito feminino. Se formos por ai, cairemos em outro preconceito, de julgar pelas aparências. Pesquisas revelam que um alto índice de caminhoneiros  pagam travestis para que estes atuem ativamente para a satisfação de suas fantasias sexuais. E olha que muitos caminhoneiros juram de pé juntos que são muito  machos. E quando estão em grupos de iguais, se passar um travesti perto cometem o crime de homofobia. Lógico, atacam aquilo que eles são mas não assumem.

Devemos entender que estamos em uma sociedade pluralista, onde o convívio social passa pelo respeito às diferenças. Não estou aqui para fazer juízo de valores para os que condenam a homossexualidade por escolhas religiosas. Quando orientava seminaristas de congregações religiosas, e aparecia candidatos ao Sacerdócio mas com definições homossexuais, apenas refletia com eles que estavam tentando espaço em uma instituição que já tem postura clara sobre a homossexualidade, que insistir na escolha achando que deveriam ser aceitos, só traria angústia pessoal e sofrimentos. As definições por critérios religiosos devem ser respeitadas. Inclusive é intransigência quando vemos homossexuais atacando uma ou outra Igreja, por não aceitar a prática da homossexualidade. O caminho é o respeito às diferenças, principalmente quando estamos em espaços públicos. Por isto que veremos grupos organizados de homossexuais entrando com ações judiciais contra apresentadores de programas radiofônicos e televisivos religiosos, por se sentirem atacados no direito de escolha. Principalmente quando são taxados de pecadores. Gostei muito da opinião do Pe. Fábio de Melo em uma entrevista para o jornal A Gazeta-Espirito Santo, quando esteve no estado por ocasião da festa da Penha no ano de 2015. Nesta entrevista, Pe. Fábio de Melo dizia que a questão do casamento homossexual não é problema da Igreja para aqueles que não são da Igreja. As regras da Igreja Católica servem para aqueles que escolheram seguir estas regras. A forma com que os outros escolhem viver suas vidas é de cada um. Uma posição muito ousada e que deve ter lhe valido muitas críticas. Ele disse que esta questão da união de homossexuais é uma questão do Estado e não da Igreja.

Sem dúvida que o tema homossexualidade tem gerado polêmicas em vários ambientes. Na época de Jesus, a aproximação dos homens com as mulheres era carregada de preconceitos, e quando o assunto era prostituição, foi preciso Ele dizer: -“Quem não têm pecado atire a primeira pedra…”. Hoje, parece-me que a questão da homossexualidade é o grande trunfo de intransigências nas relações humanas. Um dilema longe de termos luzes para sua solução. Mas é bom lembrar que na época de Jesus, na região onde ele vivia, haviam muitos homossexuais pela cultura grega e também pelo Império Romano.. Membros do Império Romano com títulos de comando, compravam escravos gregos meninos para terem-nos como amantes, e não vamos ver uma palavra sequer de Jesus sobre homossexualidade. Na época de Jesus, até os machões do Exercito Romano viviam a homossexualidade. 

O que pode nos ajudar neste debate e convívio, é sempre lembrar que por detrás de tudo está o SER HUMANO. Mas este tema não se esgota por aqui.


Compartilhe:

 




Visitas: 1351

Entre em contato