O amor conjugal é uma escolha

Publicado em 24/10/2016


No filme “Caprice” de Emmanuel Mouret, vendido no Brasil com o nome “ Amor à francesa”, podemos refletir sobre as tramas do amor. A trama amorosa entre um professor de ensino fundamental com uma atriz famosa, no auge de sua carreira. Tudo se passa em Paris. Ela, desconfiada do amor deste professor por um dia ter sido traída em outro relacionamento e ele, sem saber se de fato estava amando de forma real ou se tinha apenas se apaixonado pela atriz, pois ele era “tiete” dela, e também já tinha sido traído por sua ex-esposa.

O certo é que no vínculo amoroso todo casal estará sendo colocado à prova constantemente na escolha do cônjuge, tendo em vista que entre os seres humanos vínculos afetivos, paixões e amores podem acontecer num piscar de olhos, ou no estreitamento de uma amizade e até no reencontro de antigos amores. Nosso erro é de acreditar que quando escolhemos alguém, não corremos mais risco de gostarmos de outro alguém. Entrar neste paradigma de certeza do amor absoluto a uma pessoa é certificar-se da cegueira sobre a vida humana.

Assim, quando se escolhe alguém para fazer vínculo amoroso e parceria conjugal, é melhor saber que frequentemente a vida nos colocará diante de situações que precisaremos fazer escolhas. No filme, já na parte final, o casal escolhe estar um com o outro, mesmo sabendo que ambos possuem sentimentos de amor por outros. Ela pelo grande amigo dele e ele por uma jovem cheia de energia. Escolher estar casado, ou vivendo com alguém, pode dar certo e ser duradouro se for dentro desta perspectiva. Do contrário, ambos estarão conjugando uma fidelidade por regras morais civis ou religiosas e com frequência estarão se predispondo à infidelidade. Pois diante da negação da possibilidade de se amar outra pessoa, este amor chega com força, repentinamente sem esperarmos.

Uma das ideias descritas por Jung que de fato podemos abstrair para entendermos a dinâmica do amor conjugal é o conceito de anima e animus. Em que  todo homem carrega em si o ideal de uma mulher e toda mulher o ideal de um homem. E não será possível alguém suprir plenamente este ideal. Por isso que sempre estaremos expostos às ameaças de novos amores. 

A força conjugal estará na capacidade de ambos se escolherem livremente um ao outro, sem necessariamente fazer do outro uma escrava ou escravo. Sem que a vida conjugal seja uma conjugação de obrigações. Sem que um e o outro saiba que não será tudo para ele ou ela. Para isso é necessário que o casal consiga ter a maturidade de não querer que o amor do outro seja exclusivo. A felicidade conjugal estará cravada na liberdade de saber que cada um esta aberto ao despertar de sentimentos por outros, mas que por escolha decidiram se amar apenas um para com o outro. A boa escolha denota muitas perdas. A fidelidade consiste assim em se escolher estar vinculado àquele para o qual dissemos nosso sim. Por isso que diante de erros e tropeços do parceiro e da parceira pelas ameaças dos vínculos afetivos humanos, não se justifica a impossibilidade do reencontro. Pois acima de tudo, quem ama pode perdoar. E quando aquele que perdoa, perdoa verdadeiramente, reconhece que também pode errar. 

Prevalecerá a escolha original desde que esta escolha original seja de fato movida por um grande sentimento de amor. Vínculos conjugais estabelecidos sem a força do amor, dificilmente conseguirão permanecer duradouros por causa das ameaças naturais dos novos e muitos amores que a vida cotidianamente disporá para cada homem e mulher. 


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