O que há por trás de nossos sonhos...

Publicado em 31/10/2016


Este é o título do livro publicado por Freud e que inaugura de fato a Psicanálise. Nele Freud trás elementos sobre o sonho que até então, em 1900, poucos haviam ousado descrever. Se até os dias de hoje, poucas pessoas conseguem dar valor aos sonhos e carregamos muita mística em relação a eles, imagine em 1900 alguém se propor a interpretar os sonhos. Uma tarefa nada fácil.

Mesmo sendo um elemento humano dos mais nobres, e que pode trazer-nos para dentro de nosso inconsciente, ainda falamos pouco  sobre  os sonhos que sonhamos. Quando meus filhos eram crianças fazia a brincadeira de cada um partilhar o sonho que havia sonhado na noite anterior. Com essa brincadeira estava introduzindo os meninos neste mundo encantado dos sonhos, levando para eles a importância do sonhar para a vida humana. Antes de forma lúdica e hoje com mais critérios interpretativos. Porém, mesmo que partilhemos nossos sonhos em público ou em determinados grupos, nunca conseguiremos interpretá-los como se estivéssemos num espaço terapêutico. Freud tinha este habito de conversar dos sonhos entre amigos, mantinha uma curiosidade sobre os motivos de sonhar.

Normalmente o paciente que nunca teve contato interpretativo com seus sonhos ou jamais imaginou que eram importantes, costumam em psicoterapia dizer que tiveram um pesadelo. Ao surgir este tipo de fala logo vou dando vazão e importância. Primeiro procuro educar o paciente dizendo que não temos pesadelos, o que acontece são sonhos com imagens e fatos a serem interpretados. Pesadelo é algo ruim, mas sonho sempre é bom, mesmo que seu conteúdo seja desesperador. 

Vivemos por simbolização. Nossa forma de ser e pensar enquanto humanos se dá pela capacidade de criarmos símbolos e conjugá-los. Assim nasceu a palavra escrita e é assim que nos relacionamos e nos comunicamos. O sonho é o nosso inconsciente que emerge por imagens, cenas e fragmentos de episódios que nos é apresentado de forma confusa e indireta. Nosso inconsciente se for revelado da forma que é não suportaríamos ver. É como se colocássemos um equipamento em nossa cabeça e tudo o que pensamos fosse transmitido sem cortes para uma tela. Ficaríamos assustados de nós mesmos, e os outros poderiam ficar até decepcionados. Quando damos valor a estas imagens e cenas produzidas pelo sonho, deixamos de desconsiderá-los ou tratá-los como se fossem pesadelos. Passamos a valorizar estas cenas como elementos essenciais de existir. 

Pelo sonho podemos ter acesso direto ao nosso inconsciente, percorrendo indiretamente, pela via interpretativa. Mas é ai quem mora a dificuldade, interpretar os sonhos. Como fazer? Geralmente o público leigo em psicologia vai buscar em manuais populares, destes de banca de revistas ou livros exotéricos. Aquele velho jargão de que ao sonhar com a morte estou pensando na vida, ou dos pressentimentos ou previsões de catástrofes. Mas a boa interpretação dos sonhos começa dentro de um processo de psicoterapia, onde o psicólogo poderá incentivar o paciente a relatar seus sonhos  e construir na relação terapêutica a  capacidade do paciente aprender a interpretar por si mesmo. Não é o terapeuta quem vai interpretar, pode ser que nos primeiros sonhos como referência de construção interpretativa, o terapeuta pontue alguma interpretação, mas depois, a boa condução de análise deve remeter ao paciente. Geralmente a interpretação de um sonho deve estar ligada a fatos reais do cotidiano, pois no sonho o paciente pode começar a entender daquilo que seu inconsciente está desejando, que se for decifrado poderá trazer muitos benefícios ao seu cotidiano. O maior de todos os benefícios é a possibilidade de entrar nas profundezas do seu próprio eu.


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