Vínculo amoro entre casa

Publicado em 18/11/2016


Os casais que se encontraram por algum motivo e estabeleceram parceria conjugal através da união estável, institucionalizada ou não, no civil ou no religioso, precisam estar atentos ao fator desencadeante do vínculo. O motivo pelo qual despertou o encontro. A história inicial do vínculo.

É um enigma se olharmos o fator que define o ponto onde se estabeleceu o vínculo. Que pode ser igual para ambos, ou melhor, pelos mesmos motivos e momento. Mas pode ser percebido de maneira diferente e até em momentos diferentes para cada um. Buscar a identificação deste objeto de vínculo inicial é um bom caminho para que o encontro não fique apenas na ordem do enigmático como se o encontro nascesse de um mito ou conto de fadas. Houve um fato, um momento ou um desencadeamento real de fatores que ajudou neste vínculo.

Quando ajudo casais a se restabelecerem no encontro amoroso através da psicoterapia de casais, tenho uma atenção especial para resgatar a história do casal e levá-los a identificar os motivos que os levaram a escolherem-se. A busca do elo perdido. Este mecanismo é sem dúvida um dos principais elementos de cura terapêutica no processo conjugal. O reencontro do motivo de terem se escolhido. 

É comum que o casal, após anos de vida a dois, com novos emergentes que é característico da vida conjugal, principalmente quando surge os filhos, questões profissionais, doenças, interferências de familiares, pressão social e inclusive projetos de vida pessoal que a cada ano pode ser modificado para cada um. Também a possibilidade de vislumbrar outras escolhas, inclusive de parceiros. Outros olhares e outros vínculos amorosos podem acontecer. Enfim, a vida a dois reserva muitas possibilidades de ameaças e consequente rompimentos. 

Assim, a recuperação do motivo inicial, daquela força propulsora do encontro, pode colaborar e muito para que o casal se restabeleça no vínculo amoroso com a mesma força de ontem vivida no hoje. 

É inacreditável o quanto este resgate é curador para o casal. Ao longo dos meus 25 anos de atendimento em psicologia clínica, vi centenas de casais que me procuraram para fazer uma separação madura, principalmente para preservar depois a boa educação dos filhos que tiveram, e quando vamos resgatar a origem do casal, refrescar o motivo, relutam. Sim, isso é clássico. Em um destes casos, o marido relutou em falar sobre o histórico pessoal do casal, ele me atacava dizendo: “Você quer fazer despertar novamente o que já foi enterrado há muito tempo?” Eu respondia que: “ É necessário, para que possam entender a história da família criada. Até porque seus filhos fazem parte de uma boa história, afinal de contas eles foram gerados por motivos afetivos do casal, em um momento favorável!”. Isso porque, este casal em especifico, narrou que gestaram os filhos logo no início em que começaram a viver juntos, “quando ainda sentia muito amor por ela”, disse ele. Ao falarem do encontro inicial do vínculo, dentro de duas a três sessões já estavam entrando no consultório de mãos dadas. Ele não queria dar prosseguimento no casamento por ter se envolvido com outra mulher. Porém sua esposa havia perdoado este desvio dele pela infidelidade e solicitou a psicoterapia conjugal para tentarem trabalhar este rompimento, sem o compromisso de continuarem juntos. Ela, no início, disse: “eu forcei para ele vir , mesmo que não ficássemos juntos, mesmo sendo o meu desejo. Pois temos um longo caminho pela frente na educação de nossos filhos, como pais.” Assim, este casal que chegou para fazer uma boa separação, ao resgatar a origem do vínculo amoroso, reascende o sentimento original. E lembraram de tudo que os mobilizou para terem escolhido viver juntos. O resultado, não se separaram. 

Encontrar-se com a origem do vínculo conjugal é parecido com o resgate do sentido no qual damos para a nossa vida. Buscar o dom maior de nossas vidas. Reencontrar o motivo pelo qual vivemos. A diferença é que fazemos isso na perspectiva de casal.

Muitos são os casais que se separam por momentos críticos mesmo tendo um forte vínculo amoroso, que no processo da separação pela crise situacional, não conseguiram ver o amor que os uniu. O motivo maior de estarem juntos. 

Quando um casal se separa sem ter a busca do histórico de vínculo amoroso, corre o risco de lá na frente, quando já separados, começar a ver que a decisão da separação foi um erro. Porém o retorno se torna inviável. Muitos são os casos em que os novos relacionamentos já não são movidos com a força de um vínculo amoroso, pois nascem de uma situação ilusória e imediata. Principalmente quando os cônjuges partem para novas relações movidas pelo impulso e pelas dores do rompimento anterior. 

Por isso que a psicoterapia de casal pode ser um bom caminho para casais em crise conjugal. Pois nela podem ter clareza dos motivos reais para suas escolhas, para que  seja real e não fantasiosa. Tanto para continuarem juntos, quanto para se separar.


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