O quarto silencioso e secreto dos filhos

Publicado em 22/11/2016

Durante a semana com os compromissos de cada membro da família, com os pais trabalhando e o filho estudando. Entre aulas, trabalhos para casa e cursos paralelos de esporte, inglês e outros mais, pais e filho quase não conseguem se ver e há um parcial controle sobre  as atividades do filho principalmente no que tange aos hábitos eletrônicos.

Detalhe, chega sábado e domingo, os pais ficam tranquilos por terem no ambiente familiar um silêncio nostálgico, como se não houvesse filho em casa. O motivo deste silêncio é que aos finais de semana na família é liberado os jogos eletrônicos, principalmente aqueles que são muito atrativos por serem on-line. Na sexta, adentra a noite jogando, no sábado acorda depois das 13hs, e após o almoço logo já está conectado. Tanto pelas redes sociais como pelos jogos. 


Assim, passam os meses e os pais só percebem que este silêncio até “agradável” do filho em casa está sendo danoso quando surgem os resultados das notas na escola. Quando a coordenação pedagógica da escola entra em contato com os pais para alertar que o filho está correndo o risco de reprovar de ano.


Nossa! Mas você pode estar se perguntando: “como os pais podem permitir chegar a este nível de problemática? " Sim, é possível. Há casos mais graves, o sintoma educacional é um dos mais simples. Lembram daquele caso que o menino se enforcou por ter entrado no desafio on-line de pagar pena por ter perdido no jogo? Há casos de suicídio por terem omitido os hábitos noturnos e também por terem camuflado resultados de provas e quando o que estava camuflado vem à tona, o melhor caminho é  a morte.

Há uma tendência de acreditar que pelos direitos fundamentais das crianças e adolescentes temos que respeitar a subjetividade deles e deixá-los livres para agirem conforme desejam. Assim os pais se perdem neste controle do processo educacional principalmente no que tange  cercear o lazer. É como se os pais não pudessem usar da autoridade para educar. 

Há também aquela atitude dos pais de fazerem a lei do mínimo esforço, levando-nos a se omitirem no acompanhamento dos hábitos das crianças e adolescentes. Assim, o silêncio do quarto do filho aos finais de semana, que era uma coisa aparentemente boa para o descanso dos pais, vira um grande transtorno quando os sintomas inerentes da dependência eletrônica aparecem. Estes sintomas são múltiplos, mas começam a aparecer  pelo resultado educacional e também pela apatia e comportamento depressivo da criança e adolescente.

É melhor fazer com que a casa seja um lugar de agito, encontros, conflitos por resistências aos limites que os pais devem colocar. Lembre do que Freud já disse no passado quando falava que o amor e ódio fazem parte do processo de desenvolvimento humano, mas que a indiferença é um sentimento equivalente à morte. A indiferença ao silêncio do quarto do filho, é a morte do filho. 



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