Chame Morin para repensar o ensino médio no Brasil e não a “Peruada temeriana”

Publicado em 06/12/2016

Dentre todas as notícias que ouvimos sobre a PEC da reforma do ensino Médio no Brasil, não consegui identificar quais são os pensadores, pesquisadores e profissionais da educação pública deste país que estão por trás desta emenda. O governo golpista de Temer, logo que assume a pseudo-presidência da república, lança esta bomba ao congresso nacional. Sem, no entanto, termos a identificação de quem de fato está por trás das ideias que norteiam a proposta. Aí é “peruada temeriana” para tudo quanto é lado. Sabemos que no governo de Dilma já havia força tarefa de debate sobre esta reforma. E todos estão carecas de saber da necessidade de termos a reforma de nosso ensino médio. Mas não só dele, de todo o sistema educacional brasileiro. A meu ver, tanto o sistema público e privado está dando cabeçada no processo educacional. A escola brasileira está falida há muito tempo.

Algumas iniciativas de debate estão sendo colocadas, como é o caso da TV Cultura de São Paulo com uma série de programas com bons especialistas na educação. Mas o principal lugar de debate e que de alguma forma está fazendo a sociedade  ver com um olhar diferenciado sobre o problema da educação no Brasil são os alunos das escolas públicas com suas invasões nos equipamentos educacionais. Nestas ocupações, os alunos permanecem de plantão em pleno debate. Levam professores, estudiosos e pensam no que desejam. Parece que  a “peruada temeriana” esqueceu de ouvir o que nossos alunos têm a falar.

Neste sentido, fui buscar experiências e processos de projetos de mudanças de sistemas de ensino pelo mundo e encontrei o belo livro organizado por Edgard Morin com o título “A religação dos saberes”, que é  resultado de um fórum de debates promovido pelo Governo Francês para  repensar o ensino fundamental na França. O governo Francês chama um intelectual de reconhecimento mundial, que é Edgard Morin para planejar mecanismos de mudança da proposta arcaica do sistema educacional do ensino médio daquele país. Morin convoca especialistas em diversas áreas do conhecimento com vistas a perceber que todas as áreas do conhecimento se religam e interligam.

Mas no Brasil, onde o ministério da educação muda de titular como mudamos de roupa a cada dia, parece que os nossos muitos pensadores talentosos nas Universidades Públicas do país, são deixados de lado. Pior ainda, a comunidade escola que é composta pelos pais, professores, técnicos, alunos e funcionários no geral  em torno de cada escola , são esquecidos do debate.

Enfim, esta reforma, a toque de oportunismo golpista, não vai dar certo. Isso só dificulta o Brasil entrar no século 21.


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