Morre Zygmunt Bauman, um pensamento para a realidade brasileira e tão distante do Brasil

Publicado em 26/01/2017

Dia 9 de janeiro de 2017 morre Zygmunt Bauman, um filósofo contemporâneo da Universidade de Leeds na Inglaterra, onde existe o Instituto Bauman, em sua homenagem. Com o conceito da “Modernidade Líquida”, Bauman influenciou a sociedade para ter um olhar crítico sobre o avanço do mercado, do consumo e da crescente tendência dos adeptos aos regimes autoritários. Previu o crescimento dos que ganhariam as massas pela força das promessas de salvação. E olha que ele morre e surge a era Trump. As classes populares e excluídas perdem mais um porta voz, pois ele era um intelectual popular, ou como diria Paulo Freire, um intelectual orgânico.

Porém, não posso falar muito de Bauman por que li muito pouco dele. E observo que no Brasil, a universidade pouco discorre sobre as ideias de Bauman. Fiz um curso de Psicologia com muito foco na filosofia, e de fato não estudei nada dele no meio acadêmico. Não por que vacilei, mas por que seu nome não fazia parte do circulo de leitura da época  - 1985 a 1990 - . Mesmo sendo um pensador orgânico, no movimento popular e nas comunidades de base tão inseridas na luta por transformação social neste país, não víamos nada de Bauman. E olha que sempre estive envolvido em processos de formação dos movimentos sociais.

No dia de sua morte, liguei para um professor de filosofia de uma universidade pública para perguntar como estava o pensamento de Bauman na academia e ele me disse que pelo fato de suas ideias não serem tão originais, emplacou pouco. Parece que a filosofia no Brasil gosta de filósofos não entendíveis, para ter-se a impressão de que original é aquilo que é difícil de entender. Outro amigo sociólogo disse que achava ele raso nas ideias e o dono de uma livraria nem tinha livros dele por que era uma leitura sem nexo. Mesmo assim ele lançou vários livros no Brasil e foram bem vendidos, porém não observo a utilização de suas ideias no cotidiano brasileiro, apenas o conceito  da “modernidade líquida”, de forma líquida.

Quem trouxe recentemente a reflexão da obra de Bauman para um evento social, foi a pedagoga Elisabeth Gaygher de Nova Venécia-ES, e o público ficou encantado e ao mesmo tempo surpreso, pois nunca tinham visto falar dele.

Enfim, temos um grande filósofo, porta voz dos menos privilegiados e crítico da sociedade de consumo, que precisa ser mais explorado pelo movimento social, sindicatos, comunidades de base e grande parte de lideranças religiosas que pregam a moral e a ética Cristã na perspectiva do oprimido. Temos que descobrir este filósofo. Eu já vou começar a estudá-lo pela publicação “Modernidade Líquida”, 2000. 


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