Treze anos e o fim da infância

Publicado em 17/07/2015


Dedico este artigo ao meu filho Helder Manacô que comemora 13 anos neste dia 17 de julho 2015.

Por mais que a sociedade queira forçar a antecipação da adolescência jogando para os 10 anos e criando a falsa ilusão de que aos dez uma criança já pensa como adolescente, a adolescência propriamente dita começa aos treze. Dos onze aos doze, podemos considerar a pré adolescência como já nos ensinou Maurício Knobel, autor do livro “Adolescência normal”, mas sem fugirmos da realidade psíquica da infância se estruturada até o final dos doze anos. 

Quando antecipamos esta realidade, antecipamos várias práticas e costumes, e a que fica mais lesada na infância interrompida ou antecipada é a perda da identificação com os brinquedos e o brincar e a sexualidade desprovida de um interesse erógeno.

No que tange a perda do brinquedo e do brincar, vemos uma rápida evolução para os equipamentos eletrônicos, principalmente o celular. Manuseios de jogos e a entrada nas redes sociais. Esta nova perspectiva potencializa a perda da capacidade criativa pela fantasia do brincar. É como se a criança estivesse sendo roubada na sua energia psíquica e amortecendo ou fazendo morrer sua grande aliada a fantasia. Na infância a fantasia necessariamente está acima da realidade, e entre os dez a doze anos começa os ensaios para a vivência da realidade. A antecipação da adolescência já aos dez anos trás um falso self, uma falsa imagem. Com isso a entrada na adolescência mas com um rompante de adulto em miniatura, com forte ênfase na beleza física e facial. Tempos atrás estava no cabeleireiro e havia um grupo de meninas na faixa dos onze anos super preocupadas em fazer maquiagem e as progressivas para os cabelos. O proprietário do salão falava que elas gastam bastante todo mês. Já os rapazes começam a se preocupar com a formação de músculos para ver se adquirem massa muscular mais rápido.

Na questão da sexualidade, observa-se uma forte exposição para as necessidades  eróticas, fazendo evoluir de uma sexualidade propulsora na constituição da energia psíquica, para uma sexualidade de exploração sexual genital. Neste processo de avanço às redes sociais e da erotização, as crianças na pré adolescência podem tornar alvo fácil dos pedófilos. Pois aquilo que parece não é, um ser criança com roupagem de adulto mas sem potencial de discernimento e malicia para se defender dos ataques inimigos tanto humano como eletrônico.

É  preferível ver e manter a criança como ela é. Assim, os pais e escolas que escolherem continuar vendo- as como elas são, estarão ganhando a longo prazo quando este ser criança de hoje for adulto no amanhã, tendo passado pelas etapas de sua existência conforme as necessidades exigidas para cada faixa etária. Um ganho em maturidade relacional, capacidade criativa e potencial cognitivo.

Vale a pena lembrar do antigo ditado: “não apresse o rio, deixe que ele corra no seu ritmo”. Pois a morte antecipada da criança na sua subjetividade infantil é um excelente mecanismo de construção de vazios emocionais e campo aberto para necessidades de consumo, tudo o que a sociedade de consumo gosta.


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