O dia em que o estado do Espírito Santo parou

Publicado em 06/02/2017


Nesta segunda, dia 06/02/2017, a população do Estado do Espírito Santo acordou apavorada. Os bandidos viram que as ruas estavam livres por causa da greve dos policiais militares desde a última sexta-feira (03/02/17). Com isso, a verdadeira situação da segurança pública nesta estado começou a ser revelada. Se não houve ação de grupos dentro das cadeias capixabas, é por que estes grupos estão se digladiando nos bairros periféricos. Com o sinal verde, os fatos revelam nossa realidade!! Realidade que as publicidades governamentais não conseguem esconder.

Sabemos que nossa tendência como cidadãos é de condenarmos todo tipo de movimento de greve. Assim acontece com os pais quando os professores entram em greve, acontece com os usuários do sistema de transporte coletivo quando os motoristas entram em greve, na saúde os doentes e seus familiares ficam estarrecidos. Mas sabemos que uma greve não acontece do nada, é resultado de um processo de sofrimento que alguma categoria está passando. No caso específico da polícia militar do Espírito Santo é pelo salário baixo e falta de infra-estrutura para enfrentarem o crime organizado. Uma luta que chega ao processo de greve por pressão dos familiares dos policiais e por falta de agilidade da gestão pública no estado em estabelecer diálogo para negociação.

Temos que entender que para cada categoria profissional há regras para acontecer um processo de greve. No caso do Espírito Santo a paralisação aconteceu e não temos informação se foi respeitado ou não os critérios para o setor e categoria. Apesar de que os policiais dizem que não é uma greve e sim uma paralisação. Parece uma “greve branca”. O certo é que por esta ação, correta ou não, a população pode ver como está à insegurança pública no estado. Os bandidos estão crescendo em quantitativo, armamento e territorialidade. Enquanto nosso equipamento de segurança pública está a cada dia mais sucateado, com menor contingente de pessoas e não consegue acompanhar o crescimento do crime organizado. ]

No Estado do Espírito Santo temos o Governador Paulo Hartung que tem alta aceitação popular, e de fato tem cuidado de algumas questões com eficácia, sendo  o equilíbrio das contas públicas, uma das que mais se divulga no estado. Porém, este Governador tem uma mania: “Falsear dados, manipular informações e vender uma imagem de ético e austero”. Mas esta mania aos poucos vai sendo confrontada com a realidade. Por exemplo, na véspera de iniciar as aulas, muitos alunos ainda não estão com vagas garantidas; os hospitais estaduais estão parecendo acampamento da cruz vermelha em pleno campo de batalha. As contas até podem estar tranquilas, não se sabe ao certo. Porém, a segurança pública, aquela que segundo nosso Governo tinha até modelo de gestão para exportar a outros estados, principalmente no sistema penitenciário. E que no verão foi capaz de espalhar policiais em grupos em vários pontos turísticos do estado, quem sabe para dizer aos turistas que de fato o Espírito Santo é seguro. Então, essa “tão eficiente” segurança pública divulgada por Hartung, se depara com a realidade exposta inicialmente pelas famílias dos policiais que reivindicam por mudanças.

A segurança pública do nosso estado está maquiada. Na base do “pó de arroz” de baixa qualidade, temos a falta de estrutura para aqueles que vão para as ruas, que enfrentam as milícias organizadas dos traficantes. Nossos policiais precisam de um plano de carreira e de um salário que coloque esta profissão num status social que valha a pena se colocar na linha de risco. Assim como é o caso dos professores nas escolas e dos diferentes profissionais da saúde. Mas sabemos que na saúde e educação, a sujeira de uma gestão maquiada, dá para ser escondida ao longo dos anos, e o resultado é a saúde precária de um povo e o analfabetismo funcional. Nestes dois casos, a percepção do caos é em longo prazo. Mas na segurança pública, o caos é imediato, principalmente por que no nosso país quem está comandando os três poderes da nação é o narcotráfico. Aí, é só dar uma escorregadinha que a sujeira logo aparece. 

Se o Governador Paulo Hartung conseguir eliminar de seu comportamento como gestor público esta mania de jogar sujeira para debaixo do tapete, ele pode se transformar no melhor governador da confederação. Tomara que ele consiga, apesar de que não conheço clínica especializada para tratar deste tipo de mania.
O que o estado do Espírito Santo está passando nesta segunda-feira, como se fosse uma ressaca de um final de semana aterrorizante, com recorde de homicídios pelo estado em tão curto espaço de tempo, é a realidade de todos os estados do Brasil. Se em todos os estados os policiais militares resolverem parar, ai sim veremos o quanto estamos pior que o cartel de Medellín na década de 80. 

Agora vamos se posicionar como cidadãos ativos. Vamos começar a pensar coletivamente. Alguns grupos estão se encontrando par rezar juntos, a reza por si só é boa, mas Deus não age só por rezas. É preciso se encontrar no coletivo para Orar e Agir. Por isso, é necessário a ORAÇÃO : oração na ação, como São Tiago já nos alertou  sobre a fé sem obras. Trago o contexto religioso neste texto de caráter sócio/político por que temos uma população que pratica religião de forma muito passiva. Se o tanto que se reza neste país, Deus estivesse ouvindo, já teríamos um país e um estado muito próximo do paraíso. Deus não vai fazer por nós o que somos nós que temos de fazer. Desta forma, sou solidário aos familiares dos Policiais Militares por terem a coragem de sair de suas casas e irem à frente dos quartéis e batalhões para provocar esta manifestação. Serão criticados, mas todos colherão os frutos desta ORAÇÃO coletiva. 


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