A indústria da pobreza e da violência

Publicado em 22/02/2017


No Brasil a pobreza e a violência são intencionais. É gerada por estratégia de manutenção de poder e consequente enriquecimento para poucos. Manter a maioria esmagadora na faixa da pobreza é bom para quem deseja dominar. A pobreza gera exclusão e consequentemente analfabetismo ou baixo índice educacional. Outro aspecto interessante para a indústria da pobreza é uma massa coletiva para o trabalho que custa muito barato. Observem como que em municípios que cresceram no parque industrial, há grande dificuldade de contratação de mão de obra qualificada. E nestes mesmos municípios, não falta mão de obra para a lavoura, pois esta requer um baixo nível educacional. Veja nos Estados Unidos, o trabalho braçal é para os latinos imigrantes que na sua maioria são semi-analfabetos em suas pátrias. Poucos brasileiros que vão trabalhar por lá conseguem aprender o inglês, pois mal sabem falar o português. 

A pobreza é uma grande aliada da classe política, salvo pouquíssimas exceções. Os políticos ganham muitos votos de pessoas que não escolhem por que conhecem a proposta do candidato ou programa de governo do partido político. Elas escolhem pela necessidade de dinheiro para comprar comida. Assim, quanto mais pobre e analfabeto melhor. Desta forma instaura-se um ciclo vicioso de retroalimentação política que se chama corrupção. O político corrompe sua campanha e o eleitor corrompe seu voto. Com a quase totalidade pobre e sem formação educacional, o congresso nacional  tende a só votar leis para o interesse do bolso individual de cada político, e no executivo vemos governantes recompensando as empresas que os apoiaram, através da contratação de seus serviços depois que são eleitos.  Além de roubarem,  ainda sustentam  o slogan político “rouba, mas faz” e todo mundo vai atrás. Este tipo de ciclo da corrupção também favorece aos que surgem na política como “salvador da pátria”, prometendo o mundo e o fundo para tirar o povo da pobreza, somado a uma boa retórica política. Assim é fácil de enganar povo sem educação.

Já no caso da indústria da violência que está acompanhada da falta de segurança pública, o esquema segue uma sequencia não muito organizada e de difícil percepção. Além de estar orquestrada de diferentes formas para diferentes realidades. Como estamos num país continente, não dá para traçar um esquema que segue roteiros iguais. Mas vamos pegar o eixo São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Há um financiamento de político pelo narcotráfico, que por sua vez se utiliza da pobreza para empregar crianças e jovens, os bandidos “peixe pequeno”. Estes bandidos são perseguidos pela polícia militar que se aproveita disso para mostrar serviço, prendem alguns garotos para iludir a população sem educação de que estão fazendo o serviço de segurança. Lógico que a Polícia vende a ideia de que não sabe onde estão os grandes traficantes, pois estes financiam os políticos e assim, se forem presos pode dificultar a engrenagem do dinheiro na mão deles. Interessante é que nossa polícia é campeã de fazer teatrinho, chegam com três ou quatro armados até o pescoço e pedem para a garotada encostar-se à parede, revistam tudo e todos, não acham nada e vão embora. Sempre costumam chegar depois dos assaltos, e por incrível que pareça logo já ligam para a vítima dizendo que encontraram os objetos roubados, porém muitas vezes é preciso passar um valor por fora para  liberar o que foi roubado. Ai tem outro elemento nesta engrenagem, são os policiais que se corrompem para manter os traficantes intactos e lucrarem com os roubos. Isso por que o argumento é que polícia ganha muito pouco. Em uma visita que fiz a uma penitenciária, junto com membros da Pastoral Carcerária, um detento dizia que quando estava à frente de roubos à bancos, logo em seguida ao crime um grupo de policiais chegavam para recolher os 30% do valor roubado. Mas na penitenciária os agentes diziam que não podíamos dar ouvido às invenções dos detentos. Diziam que os bandidos se fazem de vítimas para ficarmos com compaixão por eles. E tem mais, vemos muitos policiais trabalhando de segurança particular nos horários de descanso. Inclusive os empresários preferem contratar seguranças que já fazem parte da corporação militar. Há Policiais que indiretamente são sócios de empresas de segurança privada. Lógico que toda regra tem a sua exceção, pois sempre sobram alguns sérios, para não sermos injustos com a categoria dos policiais.

Quem ganha com a fábrica da violência? O político, o traficante, o Policial Militar e os empresários de segurança. 

Assisti ao circo montado com a crise de segurança desencadeada em fevereiro de 2017 no estado do Espírito Santo e que começou a desencadear um efeito dominó no estado do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Digo circo por que no frigir dos ovos, e observando as diferentes falas dos diferentes atores envolvidos neste picadeiro, conclui que tudo foi planejado. Mas era preciso ter um meio para falsear, assustar e dramatizar, e utilizaram a Rede Globo. Sabendo que nas redes sociais, uma população desprovida de educação, faz um desserviço de informação. Olha que coincidência, os Militares da época do Regime Militar (1964 a 1985), foram tão generosos com o Senhor Roberto Marinho quando ajudou ele a expandir a rede Globo por todo o território nacional, em troca de uma publicidade mentirosa sobre os militares. A maior mentira foi de terem passado a ideia que não eram corruptos.   

Neste picadeiro, o Governador do Espírito Santo da uma de salvador da pátria e austeridade, mas por sua vez não tem força sobre os comandantes da Polícia que fazem um apoio indireto ao movimento grevista que não é grevista, pois é inconstitucional para a categoria. Ai ficou uma manifestação das famílias dos policiais que bloquearam os quartéis e batalhões em todo estado, e os coitados não podiam sair do aquartelamento. Uma polícia treinada em bater e dar “cacetada” para dissolver manifestações, não conseguiu sair às ruas pelo bloqueio feito por meia dúzia de mulheres. Resultado, mais de 140 jovens assassinados em uma semana por uma simulação de confronto de gangues, e com isso, o descarte de um número grande de bandidinhos que estariam ocupando desnecessariamente as cadeias do estado, chacina é o nome que podemos dar para isso. Enfim, uma série de arranjos que a população empobrecida e pouco educada, sem muita capacidade de  analisar os fatos, não consegue refletir, ver e se posicionar. Sabem sim, reunir para rezar e esperar Deus agir. Por isso mesmo que Marx já alertava de como a religião pode ser usada como “ópio do povo”.

Tomara que esta minha análise seja apenas resultado de um surto psicótico que no momento em que parei para escrever este texto tenha me abatido. Mas se não for, se for realidade, adeus queridos. Se a coisa ta ruim, ela vai piorar. Não é pessimismo, é pura realidade. Mas se Deus quiser, tudo  vai dar certo e vamos passar mais um carnaval feliz. 


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