A vez dos negros no Oscar 2017

Publicado em 28/02/2017




Queira ou não, a sociedade racista vai ter que engolir esta. Os negros triunfaram na edição do Oscar 2017. Mesmo alguns achando que o erro do envelope anunciando “La La Land – Cantando estações”, como melhor filme, ter sido por uma conspiração inconsciente do racismo da academia cinematográfica, na verdade foi um erro dos mais estranhos em uma celebração tão cara como é o Oscar. Mas ao ser percebido o erro, do palco cheio de lindos embranquecidos, de um filme que de fato é maravilhoso, começa a dar espaço para a negrada, que ainda, tão recentemente vivia o segregacionismo racial. Fato que podemos ver no premiado filme “Estrelas além do Tempo”, sobre as matemáticas negras que fizeram história na NASA.
 
Em tempos de intransigência cultural, religiosa e racial, que está tomando força e voz nas posturas do presidente americano Trump, os filmes que foram indicados ao Oscar 2017 que trouxeram a temática do drama dos negros na história, principalmente nos Estados Unidos, trás um olhar crítico sobre a realidade. O filme La La land é muito bom, até meu filho Hélder de 14 anos ficou encantado com o filme. Mas colocar este filme como o melhor, seria um golpe na realidade. Seria vender a idéia de que o mundo é encantado e que só pela música podemos chegar à paz. Sim, tudo e em tudo tem música. A música do filme “Manchester a beira mar”, que levou o ator Casey Afleck ao merecido prêmio de melhor ator, é musica de dor, perdas. Enfim, musica é necessário, como o musical bem feito é sempre bem vindo. Mas estamos em tempos para pensar a humanidade na perspectiva de integração dos povos, da inclusão. Os filmes dramáticos, em cima de realidade da vida, ajudam a pensarmos o presente na perspectiva do futuro, da esperança. Dos filmes dramáticos e realistas que assisti, dentre os indicados ao Oscar 2017, todos tiveram um fim sem término, onde saímos da sessão do cinema em silêncio, pensando a seqüência da possível  história que pode ser transformada no hoje e no amanhã.

Neste Oscar, temos a consagração dos negros. Ser negro é uma imposição de poder. Na verdade todos são humanos. Diferenciar o negro do branco é uma necessidade situacional, tudo bem que já vem durando muitos anos na história contemporânea. Por isso, vamos observar a quantidade de negros que triunfaram neste Oscar 2017. São posições alcançadas pelo talento, de pessoas que tiveram que suar muito para chegar ao lugar que  chegaram. No filme “Estrelas além do tempo”, achei incrível que a quebra do preconceito e do separatismo foi se dando pelo esforço e talento das três negras que foram as protagonistas da história. Uma conquista do espaço pelo talento, onde o rancor foi sendo quebrado na relação de trabalho. Vejamos alguns negros e suas conquistas:

1. O número de atores negros indicados chega a seis, e bate o recorde de cinco indicações em 2006 e em 2004
2. É o primeiro ano em que há atores negros concorrendo em todas as categorias de atuação.
3. Viola Davis se tornou a primeira mulher negra a ser indicada três vezes
4. Entre os homens, Denzel Washington quebrou seu próprio recorde com esta sétima indicação
5. É o primeiro ano em que há três negra(os) concorrendo em uma mesma categoria: Viola Davis, Naomi Harriz e Octavia Spencer disputam em atriz coadjuvante
6. Joi McMillon, de “Moonlight”, é a primeira mulher negra na categoria de edição
7. Barry Jenkins, diretor e produtor de “Moonlight”, se tornou o primeiro negro indicado nas categorias de melhor diretor, filme e roteiro adaptado
8. Quatro filmes de produtores negros concorrem em documentário: AvaDuvernay (“13ª emenda”), Ezra Edelman (“O.J.: Made in America”), Raoul Peck e Hébert Peck (“Eu não sou o seu negro”) e Roger Ross Williams (“Vida, animada”).

Fazia muito tempo que não via uma edição do Oscar com tantos filmes bons e realistas. A arte cinematográfica pode de fato  ser um grande instrumento de transformação.


Compartilhe:

 




Visitas: 422

Entre em contato