Homens e mulheres com filhos vivem mais!

Publicado em 23/03/2017


Em tempos de individualidade, onde filho é visto como problema, pesquisa desenvolvida pela Universidade de Estocolmo aponta que homens e mulheres que tem filhos e  que mantém cuidados com eles tendem a viver mais do que aqueles que são solteiros e não tem filhos. A pesquisa foi realizada ao analisar registros de quase um milhão e meio de Suecos nascidos entre 1911 e 1925. O período de observação se deu até o ano de 2014. Para homens com filhos a vida ganha mais dois anos e para as mulheres um ano e meio a mais.

Esta pesquisa que foi longitudinal e parece algo sem relevância dentro do cenário tecnológico em que o  valor está nas pesquisas que geram algum benefício lucrativo, medir este índice dos que tem filhos relacionados aos que não tem e detectar que a vida torna-se um pouco mais longa para os que tem filhos, não deixa de ser um alento para entendermos que a espécie humana está diretamente relacionada com as potencialidade para perpetuar-se . Já é sabido no meio popular que a mulher rejuvenesce quando gera e dá a luz à um filho, mas esta é uma observação popular em um país subdesenvolvido e cheio de crendices como o Brasil. Quando temos uma pesquisa desta, com amostra de um país de primeiro mundo como é a Suécia, pode entender que a crendice tem relevância, principalmente aquelas que insistem e dizer que a família é a célula da sociedade. Aqui, os filhos alongam a expectativa de vida dos pais. 

Mas, além da questão de DNA de perpetuação de espécie, temos outro dado relevante da pesquisa que está associado não só com a questão fisiológica, mas sim comportamental. Pais casados que são companhia aos filhos e mantém o cuidado constante dos mesmos é um dado diferenciado. Aqui prevalece o núcleo de convivência familiar.

Quando a humanidade vê suas gerações envelhecendo e acontecendo a diminuição da taxa de natalidade. Quando a humanidade assiste as novas gerações fugindo do compromisso ou do desejo de ter filhos pela busca da qualidade de vida pessoal. Pesquisadores ajudam a entender que família, casal, convivência e filhos ainda constituem em elementos favoráveis para a vida humana. A pesquisa poderia ter concluído que os solteiros sem filhos tivessem mais longevidade, apontando para  a ideia que filhos tiram liberdades e qualidade de vida pessoal. Mas ao contrário, esta pesquisa é animadora para que a humanidade continue desejando filhos e consequentemente veja o prosperar de sua espécie.

Filhos ajudam a ficarmos atentos a cada dia e faz-nos projetarmos no amanhã. Eu particularmente vivo esta experiência da paternidade com muita alegria e entusiasmo. Quando pinta o desânimo e o pensamento de que já dei o que tinha que dar, lembro que ainda tenho um filho recém formado na universidade e que está em busca de um lugar ao sol, que outro filho está apenas no início da universidade e que o terceiro ainda não tem se quer a noção exata do que pretende ser quando crescer. Ai me desdobro reinvento-me e faço brotar a força para não desanimar. Tenho usado a estratégia de sempre ter a sensação que estou recém formado e começando minha carreira. Observo o mesmo em minha esposa.

No contexto da experiência na clínica psicológica, posso confirmar que esta pesquisa aplicada na Suécia pode ser estendida para nossa realidade brasileira, principalmente sobre a questão da vida mais curta dos solteiros sem filhos. Nos últimos anos têm aumentado a demanda de jovens acima dos 30 anos, que estão solteiros, sem filhos, com dinheiro no bolso e livres para fazerem o que bem entendem, mas ao mesmo tempo tristes e sem clareza do amanhã. Buscam analisar os motivos dos vazios que sentem em diferentes momentos mesmo tendo tudo o que sempre desejaram: profissão, dinheiro e liberdade.

Que venham mais pesquisas destas, para fazer-nos esperançosos em relação as famílias. Que venham as crianças. Nelas temos a prova da esperança no ser humano.


Compartilhe:

 




Visitas: 343

Entre em contato