“Adultolescente”

Publicado em 24/07/2015




Adultolescente é uma conjunção linguística não usual e que não será encontrada em dicionários – ouso conjugar desta forma as palavras adulto + adolescente, para caracterizar o perfil da maioria dos adultos na relação com os adolescentes.

Na eminência da adolescência dos filhos, os pais tendem à perda de referencial no processo relacional, vêem emergir nova demanda comportamental dos filhos, cujo principal enfoque é a necessidade de se usufruir da posição adulta, em postura e intelectualidade, adquirindo um falso self , isto é: uma imagem estereotipada  de adulto, sem ter sustentação na estrutura emocional; é o tal do parece mas não é. Neste processo, os adultos  mais desavisados, embarcam na crença de que aquele adolescente já é alguém e que suas ações são prontamente sustentadas por eles mesmos. Alguns pais até acreditam que os filhos adolescentes já estejam prontos. Daí, o fracasso nas expectativas dos adultos para com os adolescentes, que se constitui no cotidiano relacional em confrontos, disputa de poder, ataques e tiranias. Este posicionamento faz  emergir a ambivalência existencial dos pais, que são capazes de se escandalizarem com a descoberta do filho usando maconha, e ao mesmo tempo autorizam a iniciação sexual deles com os namorados e namoradas como se os mesmos já tivesse estrutura de escolha para o vínculo amoroso. Ou mesmo autorizam o uso de bebida alcoólica como se já tivessem estrutura para tal.

A ambivalência de posicionamento acaba colocando o adulto na condição de adolescente, pois a ambivalência é adolescente.
O adulto entregue a esta igualdade adolescente, vê-se ameaçado no seu poder quando o adolescente filho diz: -“você não manda em mim.” – e os pais distanciam-se dos filhos autorizando-nos à liberdade de suas ações.

O adulto também se depara com a virilidade sexual, capacidade de articulação das ideias e força nas ações, principalmente em grupo, que os adolescentes possuem. Remetendo a um processo regressivo nos adultos/pais. No questionamento pessoal das suas metas de vida: do que poderia ter feito e não conseguiram, da virilidade passada e que hoje está ameaçada, até quem sabe por uma disfunção sexual. E para não perder poder e não se permitir enxergar suas lacunas existenciais, o adulto perde sua postura e compostura e vê-se em um embate do “quem pode mais, chora menos” , como é o caso das brigas inacabadas da mãe com a filha adolescente quando esta usa uma roupa da mãe, ou veste uma roupa que faz com que a diferença de beleza fique notória , lógico que a filha em detrimento à mãe .

Para o adulto não cair na ridícula posição de “adultolescente”, é preciso entender que seu papel no processo educativo é de permitir ao adolescente filho a transitoriedade no seu papel de poder, de busca pela liberdade. Dando ao adolescente, condições para que ele possa vivenciar sua experiência do ensaio de ser adulto, sem que os pais percam a possibilidade da continência pelas regras e os limites. É no convívio das regras e limites, que o adolescente passará por esta etapa aprendendo a construir um adulto dentro de si. Mas para isto, os pais devem ser suficientemente bons e presentes para entender que o comportamento estereotipado dos adolescentes, são posturas necessárias para o processo de crescimento. Não se estressar ou irritar-se com o comportamento adolescente, é sinal de maturidade pelo entendimento do que está se passando com os mesmos. Por isto, que mais do que desejar ser amigo dos filhos adolescentes, cabe aos pais autorizar com que elas forjem   seus verdadeiros amigos. Mantenha-se na posição de pai e mãe, para que um dia, na vida adulta deles, eles possam escolher nos pais seus verdadeiros amigos.



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