CRIANÇAS EM RISCO NAS REDES SOCIAIS

Publicado em 27/04/2017


Uma pesquisa elaborada por um grupo de entidades: Polícia Federal, Safernet Brasil, Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Sociedade Brasileira de Pediatria, dentre outras, realizada no ano de 2015 num universo de 29,7 milhões de crianças e adolescentes entre as idades de 9 a 17 anos, revela que nesta faixa etária  estão sujeitas a diversas formas de ameaças. Os dados são alarmantes:

37% dos usuários viram alguém ser discriminado na internet nos últimos 12 meses.
21% dos adolescentes deixaram de comer ou dormir por causa da internet.
20% dizem terem sido tratados se forma ofensiva, tipo Cyberbulling.
17% procuram informação sobre forma de emagrecer. 
10% revelam autoagressão (self cutting)
8% revelaram forma de experimentar ou usar drogas
7% revelaram procurar formas de cometer suicídio. 

Sobre a pornografia infantil veiculados em sites especializados houve 60 mil denúncias em 1 ano, com aproximadamente 20 mil páginas distintas, sendo que aproximadamente 6 mil foram removidas. As páginas de pornografia com envolvimento de crianças são hospedadas em 55 países. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria diante de tamanha exposição das crianças e adolescentes no mundo on-line, e diante das ameaças reais na quais muitas estão sendo vítimas, lançou um manual para médicos poderem orientar melhor os familiares a conduzir crianças e adolescentes vítimas, onde o foco da cartilha é “Saúde de criança e adolescente na era digital”. 

Novamente vamos apelar para o processo preventivo: estabelecer limites , tempo de uso, o que se vê e o diálogo sobre o acesso às redes sociais. Existe nesta pesquisa um eixo de idade muito variado, de 9 a 17 anos. Neste sentido a forma educacional para cada idade varia muito. 

Dos 9 aos 11 anos, a regra deve ser mais definida, e quem deve estar no comando são os pais. Por isso, que para essas idades o diálogo é orientacional e não pode ser aberto. Há necessidade de controle real. Inclusive não é indicado nem que tenham contas pessoais em redes sociais. 

A partir dos 12 até os 15 anos, há mais necessidade de troca de informações. Do debate sobre o que aparece nas redes sociais. Dar liberdade para se ter contas  nas redes, mas se possível monitorar,  quem sabe tendo até a senha de cada conta. No caso do Whatsapp, de poder pegar o celular e entrar com a participação do adolescente. Aqui nesta idade o processo começa a ser mais aberto, de confiança, mas não se pode soltar os adolescentes para que eles definam sozinhos o tempo, o que ver, quando ver e quanto ver, como também os sigilos.

Aos 16 e 17 anos se o adolescente chega com vícios de uso nas redes sociais, o processo educativo torna-se mais tenso. Há casos de haver agressão aos pais quando começam a disciplinar o adolescente que nunca foi disciplinado, mas se na família já há um processo de monitoramento, torna-se mais tranquilo, porém acontecerão conflitos, pois nesta idade eles já estarão cheios de argumentos que acabarão se sobrepondo aos pais neste sentido. Por isso,  o potencial de conhecimento dos pais em relação as redes sociais deve ser ampliado, para que o manuseio com o adolescente seja no mesmo pé de igualdade. 

Mesmo que aos 16 e 17 anos o adolescente venha dar a entender que domina mais ou que já pode fazer do jeito deles, cabe aos pais a manutenção de critério, do tempo, do que se vê e como se interage. Afinal de contas, são ainda os pais os responsáveis diretos por eles. 

Enfim, novamente cabe à família enfrentar esse momento de avanço tecnológico. Um caminho sem volta, e por isso um caminho que precisa ser trilhado sem omissões.   


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