SEXO E RELIGIÃO – SOBRE MASTURBAÇÃO

Publicado em 15/05/2017


Dando sequência às elaborações do autor Dag Oistein Endsjo, cientista das religiões, conforme os artigos: "Sexo e religião - suas diversas regras " e "Sexo e religião - algumas especificidades", vamos analisar como as maiores religiões do planeta pensam sobre masturbação ou “sexo solitário”. 

No século XIX  o Adventista do Sétimo Dia, John Harvey Kellogg, se preocupava com a prática da masturbação que poderia representar a entrada em outras práticas luxuriosas  as quais poderiam trazer consequências à saúde, dentre elas a epilepsia e a loucura. Neste período, nos EUA, a circuncisão era desenvolvida com mais intensidade para objetivar a coibição da masturbação nos meninos e nas meninas, Kellogg recomendava esfregar ácido carbólico (alcatrão) no clitóris. 

Para o Cristianismo e o Judaísmo não há passagem bíblica que sustente a proibição específica da masturbação. O ananismo atribuído a masturbação diz respeito a passagem sobre Onã, que foi morto por Deus por ter interrompido o coito com sua esposa (Gn 38,9-10). Em hebraico a expressão para masturbação é bashchatatzara que significa destruição consciente da semente. Atualmente o Judaísmo liberal tem uma relação mais tranquila com a questão da masturbação e alguns rabinos até se colocaram em público defendendo esta prática. São Tomás de Aquino, dentre os Católicos,classificou a masturbação como sexo desnaturado. 

No Islã, o Alcorão preconiza, por exemplo, como o homem deve resguardar seu órgão sexual contra tudo que esteja fora do sexo conjugal (alcorão 70, 29-31). Para Maomé, ao orientar os jovens, dizia que o jejum pode ser uma forma de enfraquecer o apetite sexual, pois Maomé associava o estímulo sexual a alguns alimentos. Mesmo assim, há discordância entre os Muçulmanos, os Xiitas a condenam e outros menos radicais não vê problema nesta prática. 

Para o Budismo a masturbação é pouco recomendável. No entanto não tem direcionamentos a sexualidade daqueles que escolheram não se manter na abstinência. A regulação no Budismo se dá dentre os que escolheram manter a abstinência e o controle se encontra mais claro nos mosteiros. No texto Budista Vinaya século I antes de Cristo, há a condenação ao sexo oral, anal e sozinhos.  

Segundo as pesquisas de Oistein, o Hinduísmo é o que menos faz restrições a masturbação. Mas mesmo assim há indicações do controle para os homens que desejam ficar mais fortes e aqueles que desejam manter a abstinência sexual, como é o caso de alguns ascetas hindus que procuram meios extremos, como usar um sólido anel de ferro em torno do pênis. Mas no Hinduísmo há exemplos de masturbação masculina e feminina em contextos religiosos como as apresentações artísticas no Templo Khajuraho em Madhya Pradesh, e outros de relevante importância. 

A masturbação é um ato encontrado na história. É observado nas artes e sempre esteve presente nas expressões culturais, na forma de desenhos, artefatos de decoração dos masculino e feminino. 

Na década de 50, Alfred Kinsey descobriu que 92% dos homens e 62% das mulheres se masturbavam até atingir o orgasmo. Mesmo as religiões em suas diferentes realidades e formas de interpretar os textos sagrados e tentar imprimir uma forma repressora de conter a masturbação, ela acaba sendo uma prática humana. Os genitais são parte dos corpo que podem desencadear o prazer imediato na forma do orgasmo. Assim, a prática da masturbação faz parte do relacionamento humano com seu próprio corpo.

Observo na minha experiência em psicologia clínica, que quanto mais repressora é a educação sexual desde as tenra idades, principalmente pela culpabilização da masturbação associando esta prática ao pecado, ao distanciamento da divindade, mais intensamente ela se instala nos hábitos das pessoas, porém de forma compulsiva. É como se pela masturbação o infiel pagasse seu pecado na forma de auto punição. Assim,a masturbação vira castigo e passa ser auto agressão. Por isso que o tema masturbação tem forte relevância no meio religioso. 


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