ENCONTRAR-SE COM SEU FUTURO

Publicado em 27/07/2017


Sabemos que cada dia basta seu fardo. O bom vivente é aquele que vive cada dia intensamente. Não fica preso ao ontem e nem mesmo ansioso pelo amanhã. Vive plenamente o instante. Mas quando pensamos e agimos desta forma, temos a sensação de que estamos desqualificando o ontem e desconsiderando o amanhã. Ou mesmo quando vemos pessoas que conseguem viver o momento presente temos a sensação de que não se importam com o passado e nem com o futuro.

Só chega à plenitude a cada dia aquele que tem acesso a sua história e conhece seu passado, tanto pessoal como familiar e social/antropológico; como também possui clareza de onde pretende chegar, tendo o futuro como um norte. Outra característica dos que conseguem viver a cada dia plenamente é a certeza de que a morte é a única certeza. Para estes a morte não é um problema. A morte é inevitável. 

Mesmo se conseguirmos degustar do prazer de se viver intensamente a cada dia, o futuro sempre virá com perguntas, com expectativas. Uma das boas formas de podermos nos perguntar sobre nosso futuro é darmos uma atenção aos idosos e buscarmos naqueles que admiramos pela vida saudável e pela força e vitalidade nos seus projetos que não param. Pessoas que vivem alegres na velhice, com saúde e com projetos inovadores. Assim, podemos buscar nestes exemplos a maneira como conseguiram pautar cada dia de sua história cuidando da saúde e cuidando da profissão, além de como cultivaram amigos e familiares.

Neste mês de junho de 2017 observei o exemplo de dois grandes nomes da música brasileira: Rolando Boldrin e Hermeto Pascoal. Hermeto nasceu em 22 de Junho de 1936 e completou 81 anos lançando um novo show realizado em Recife, no mês de seu aniversário. Já Rolando Boldrin teve sua bibliografia publicada também neste mês de Junho e aos 80 anos continua apresentando o programa da TV Cultura/SP, “Senhor Brasil”, em que consegue “tirar o Brasil da gaveta”, conforme ele mesmo caracteriza seu programa. 

Vendo neles o pique e a vontade de realizar, vivendo o presente de forma produtiva e com saúde para dar e vender, posso também inspirar meu futuro na busca de realizar algo. Lógico que não dá para prever o futuro, mas dá para desejar. Nestes homens e mulheres, os quais na velhice continuam desejando, realizando e vivendo com prazer, podemos projetar nosso futuro. Não para sermos como eles, mas para termos referências, pois, afinal de contas, somos uma espécie que precisa do outro também pra nos espelhar. 

Nesta perspectiva teremos novo olhar sobre os idosos e sobre a velhice. Podemos, assim, tirar de nosso imaginário a velhice como algo negativo e pejorativo, como se fosse à última etapa do existir humano. Podemos, a nível público, começar a revalorizar a sabedoria do idoso e colocá-lo na condição da qual jamais poderiam ter saído, de portadores da história, dando a cada idoso o status que merece. Revitalizaremos o  presente projetando um futuro saudável, viável, palpável. Com isso, não temerei o amanhã e não temerei o envelhecer. Sou ajudado pelas belas referências dos idosos e ajudo na reconstrução do imaginário coletivo de que a velhice é algo que vale a pena ser vivido.



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