A UNIDADE NA FAMÍLIA. É POSSÍVEL? | SOBRE UNIDADE*

Publicado em 23/08/2017


Para refletirmos sobre a unidade na família, é preciso entender o que é unidade. Parece uma palavra fácil para ser entendida, e de fato é, mas é complexa para ser vivida. A unidade não é equivalente à uniformidade, confundimos muito estes dois conceitos: unidade x uniformidade. 

Somos constantemente tentados a querer que todos em uma mesma família sejam uniformemente iguais. Principalmente a nós pais, que ainda acreditamos que podemos fazer as escolhas do futuro de cada filho. É comum pensarmos que podemos conduzir os filhos na nossa religião. O discurso que se os pais são praticantes na fé, os filhos serão também praticantes da mesma religião é uma antiga ilusão, que na verdade não dá certo em nenhuma ou quase nenhuma família. Se perguntarmos a cada um de vocês se na sua família há pessoas que partiram para outas religiões, poderemos constatar que em quase a totalidade das respostas teremos a confirmação que há membros da família que não são da mesma religião. Toda mobilização para que um filho siga a nossa religião não adianta muito já que a escolha pela religião é pessoal, a conversão é pessoal. Quando queremos que um filho siga nossa religião estamos querendo viver a uniformidade e não a unidade.

Em outros fatores na família podemos perceber diferenças de pensamentos, de escolhas pessoais, de caráter. A ideia de falar que todos os filhos são iguais não é real. Que os filhos são tratados de forma igual, também não é real. Cada filho vem em um tempo, em um momento e época diferente. Até Jesus tinha seu discípulo amado, João.

É necessário observarmos também que ao pensarmos a família temos uma enorme configuração de pessoas que vão para além dos filhos. Temos avós, tios, sobrinhos, netos, a família do cônjuge.Enfim, uma infinidade de relacionamentos e formas de ser. Assim, conseguiremos viver a unidade em família se primeiro entendermos que esta unidade se dá na capacidade de respeitarmos as diferenças. Na capacidade de nos relacionarmos na diversidade. Diversidade ideológica, religiosa, política, de valores e princípios. Mais ou menos como ter que “engolir um Palmeirense mesmo sendo Corintiano”.
 
Chiara Lubich nos lembra de um princípio valioso para termos embasamento e norte na busca da unidade em família: “Não fazer aos outros aquilo que não gostaria que os outros lhe fizessem” (Mt 7,12). Com esta lembrança, desta fórmula do outro, podemos a cada dia nos propormos pelo caminho da unidade na diversidade. (Chiara 07/05/1995)


*Texto apresentado em 20/08/2017 no encontro das Famílias Novas – Nova Venécia/ES


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