A imaturidade da geração smartphone

Publicado em 04/09/2017

Em recente pesquisa realizada pela Universidade Estadual de San Diego / Estados Unidos, foram entrevistados 11 milhões de jovens americanos dentro da faixa etária de 18 a 25 anos. Nesta pesquisa, observou-se que a média de uso do smartphone no dia a dia destes usuários é de 6 horas/dia. Além disso, tal trabalho trouxe elementos preocupantes: a predominância de um comportamento de imaturidade defasado em até 5 anos relacionado à faixa etária própria dos indivíduos; a tendência ao isolamento, em que os indivíduos se fecham nas suas residências  e, nestas, se fecham em seus quartos. Um dos motivos desse comportamento de isolamento e imaturidade é a propensão dos usuários destes aparelhos adquirirem o prazer apenas pela relação digital. Assim, a busca por interações e a consequente capacidade de crescimento pessoal pelos relacionamentos torna-se uma ação desinteressante.

Segundo a pesquisa encabeçada pela professora de psicologia Jean Twenge, os usuários de smartphone são menos propensos a dirigir, a trabalhar, a fazer sexo, a sair e a beber álcool. A pesquisadora afirma que estes jovens cresceram em ambientes mais seguros e se expõe menos a situações de risco. 

De fato, com estas informações podemos concluir que a geração smartphone é uma geração inoperante. Mas a pergunta que não quer calar é: A culpa está no smartphone? Lógico que não. A questão é que o smartphone passou a ser um objeto de segurança dos pais no processo de educação dos filhos. Uma geração de jovens que são superprotegidos tanto na segurança como na superabundância dos recursos. O desejo de desbravar, de crescer em conhecimento, de pontuar prazer na vida só acontece para os jovens que não possuem estrutura protecionista ao seu redor. E isso não está relacionado apenas a jovens com recursos financeiros, pois vemos a dependência eletrônica em todas as camadas sociais. A diferença, em se tratando de dinheiro, é mais percebida na qualidade dos equipamentos. 

Ora, trata-se de postura no processo educacional, em que os pais tentam suprir seus filhos com todas as mordomias possíveis, poupando-os de se deparar com os limites que o contato com a realidade provoca. Associado a isso, temos um sistema educacional carregado de conteúdos que não consegue fazer com que os jovens transformem o aprendizado em elaboração prática. 

Mas podemos nos questionar se esta pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos pode ser transferida para a realidade brasileira. Creio que sim. Tanto pode que até já citei algumas observações pessoais como psicólogo,  que faço a partir da nossa realidade brasileira. Até porque nossa estrutura social copia muito os parâmetros americanos. Somos quase que um país que atua por espelho aos Estados unidos, pelo menos no que tange a alguns hábitos e costumes. 

O certo é que o dilema da tecnologia está em não sabermos aproveitá-la ao nosso favor. Tornamo-nos escravos dela, e com isso perdemos potencialidades como seres humanos. Se os pais e os educadores não interferirem nos mecanismos de uso dos equipamentos eletrônicos, para si, para os seus filhos e alunos, veremos perdas de potencialidades que até então faziam a diferença da nossa espécie dentre outras espécies. Como adultos assistimos a morte de nossos filhos, a morte de novas gerações por incapacidade de ação, nossa e deles. 

A principal ação é saber colocar limites conforme a faixa etária do sujeito. Mas também de estabelecermos relacionamentos e oportunizarmos a capacidade laborativa, que são fundamentais para o desenvolvimento de pessoas autônomas no futuro.

Se me perguntam da necessidade de controlar o tempo de uso do smartphone de um filho, vou confirmar de forma enfática que é preciso reduzir o máximo de tempo possível o contato da criança e do adolescente com o smartphone, e, se por preciso, tirar do contato pessoal. Isso também serve para as escolas, se autorizarem o uso sem critério em sala de aula, não teremos aula. A forma de se fazer essa limitação é que faz a diferença. Se for feita com autoritarismo e sem argumentação, invertendo assim os valores de responsabilidade, o resultado é quase impossível. É preciso estabelecer diálogo sobre o limite, porém sabendo dialogar conforme a faixa etária que o sujeito se encontra.
 
A situação fica pior quando os pais também são viciados em smartphone. Esta pesquisa americana é um bom alerta para todos nós.


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