Redação do Enem 2017 | Escolas e cursinhos erram na forma de orientar seus alunos.

Publicado em 06/11/2017


Neste ano monitorei vários alunos pré-vestibulandos na elaboração de redações. Todos eles estudantes de pré-vestibulares ou segundo grau. Todos eles sendo orientados de forma equivocada sobre como fazer uma redação adequada. Digo isso por que todos eles, alunos dedicados, encontravam-se com uma auto-estima muito baixa ou muito alta sobre seus textos escritos.

Alguns provenientes de cursinhos que nas aulas normais de redação só tiravam notas baixas pelos professores, mas quando faziam os cursinhos de redação paralelos, muito incentivado pela própria escola, ai suas notas melhoravam. Estranho não é! Já pagava caro pelo cursinho ou segundo grau e ainda tinham que pagar um absurdo para fazer outro por fora, e geralmente com os mesmos professores da escola.

Também alguns estavam supervalorizados, com notas altas. Mas quando comecei a ler seus textos super bem avaliados pelos seus professores, observava que no que tange à estrutura de texto, ortografia, sem dúvida estavam bem preparados. Mas na elaboração do conteúdo, uma lástima.

Os professores ficam criando técnicas para o desenvolvimento do texto e acabam engessando o aluno, que ansioso, se apega naquela forma treinada. Ai o texto fica robotizado. Outros ficam treinando frases prontas de filósofos como se isso fosse trazer um ar de intelectualidade ao texto. Mas citar textos isolados de filósofos sem conhecer o contexto e o conteúdo geral do filósofo, geralmente cria o problema de a citação ficar fora de lugar, sem conexão com o conteúdo em si.

Outro erro que observo com muita frequência, é o treino por temas. É como se as aulas de redação fragmentassem o conhecimento dos alunos e fizessem ter uma visão apenas parcial dos temas sem o conhecimento mais abrangente. Por isso que entra ano e sai ano há sempre uma revolta sobre o tema proposto pelo Enem, e olha que o texto que embasa o tema da redação que vem para auxiliar o aluno, é cheio de argumentos e conteúdos. Para quem sabe escrever, não precisaria nem treinar tanto. Apenas os argumentos para a construção do texto que o próprio Enem trás, já ajuda. Treinar sim para se auto criticar, mas buscar conteúdo numa proporção bem maior, é um caminho melhor.

Tenho orientado aos vários alunos que acompanho, que o melhor caminho é ler livros, de dois a três por mês e jornais e revistas diariamente. Nos periódicos diários ou semanais, procurar informações que muitas vezes não são as que estão na pauta do editorial do meio de comunicação, mas sim as informações que trazem conteúdos que não está se falando no cotidiano. A dica é buscar no jornal ou revista, aquelas informações rápidas e de quase roda pés. Como o ditado popular já nos ensinou que o bom perfume está nos pequenos frascos. Ler livros de literatura mundial, livros de biografias, ou que retratam histórias baseadas em fatos reais, onde o leitor entra na história, entende a dimensão política de uma região. Consegui com estas orientações despertar em muitos jovens o desejo de ler livros bons. Alguns, para não ficarem simplesmente transcrevendo fragmentos de filósofos, começaram a ler livros de filósofos, ou de pesquisadores da filosofia que escrevem textos muito atualizados sempre conectados com os grandes filósofos, hoje temos os mais destacados: Cortela, Pondé, Karnal.

Enquanto as escolas continuarem transformando a redação em uma estrutura estritamente técnica, continuaremos a ver nossos jovens super treinados, tirando notas medíocres em redações. Como muitas instituições sérias de ensino superior entenderam que saber escrever é um elemento de primeira importância para uma vida acadêmica e futuro profissional, as redações tem valido ouro nos processos seletivos. É o caso do Enem, que muitas universidades federais pontuam com mais peso a nota da redação. Também a UNICAMP, a UNESP e USP estão valorizando muito a redação. 

Com isso, escrever é o resultado de leitura. Quem mais lê, melhor escreve. Escrever e dar para alguém avaliar é importante para identificar possíveis erros estruturais. Mas fazer aluno decorar citações e conteúdos para ter uma redação que avilta aos olhos de quem corrige, é uma estratégia que facilmente um bom corretor de redação de Enem vai observar. 

Para escrever bem uma redação, temos a somatória da gramática e ortografia em si, mas o conteúdo ainda é soberano. Dificilmente um jovem que busca muitas informações, que lê diariamente jornais e revistas e que lê  livros como habito cotidiano, conseguirá ir mal em uma redação.

Para quem está antenado no mundo, o tema da redação do Enem 2017 trazendo a demanda “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, foi simplesmente fichinha. 

Enquanto isso, os cursinhos e escolas de segundo grau vão torturando seus alunos para que façam uma redação perfeita, e ficam criando temas mirabolantes, estes só estão colhendo péssimos resultados. O problema, é que a maiorias dos professores de redação não leem livros, não leem jornais diários e nem revistas. Pois não tem tempo, precisam dar muitas aulas na semana para conseguirem sobreviver. Acredito que muitos destes professores se fossem fazer a redação do Enem seriam pessimamente avaliados. Mas esta é a realidade brasileira.

Para os pais que ainda tem filhos muito pequenos e que uma seleção de Enem ainda é um devir, quer que ele se torne um bom escritor de redações no amanhã? Leia você muitos livros e participe com ele da leitura dos livros que você lhe oferecer para ler, desde o primeiro ano de vida. Pois temos muitos livros para bebês, inclusive até a prova d’água ou de queda.


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