DEPOIS DO ENEM, A ESCOLHA DO CURSO

Publicado em 14/11/2017


A segunda fase do ENEM já passou, agora resta à expectativa pelas notas e com elas a inscrição no tão sonhado curso de graduação. A carreira profissional começa ser definida, porém, ainda estamos só no começo. Sabemos que escolher um curso superior e conseguir termina-lo pode não representar o início em uma profissão.  A profissão é uma construção, que o curso superior pode ajudar, mas nem sempre é determinante na carreira profissional. 

Muitos cursaram Direito e não atuam como advogados, outros fizeram Pedagogia mas não se tornaram pedagogos, há ainda aqueles que fizeram Engenharia mecânica mas nunca exerceram atividades nesta área específica. Enfim, a graduação é uma base de formação, que a pessoa levará para toda sua vida e poderá usar para ser a base do exercício profissional. Porém, na prática, nem sempre o que se estuda, será objeto ou ferramenta de trabalho na vida profissional. Assim, o ato de escolher um curso superior gera muita angústia nos pré-vestibulandos, pois as possibilidades de profissões são muitas, para mais de 260 profissões com formação em nível superior. Muitas profissões possuem a mesma base de estudo o objeto de trabalho e quando o jovem convive com a realidade do mercado, observam que muitos possuem um tipo de graduação mas trabalham em áreas não equivalentes as que estudaram. Somado a isso tem a questão do mercado de trabalho, que no Brasil é sazonal; o que hoje pode estar gerando muita empregabilidade, amanhã poderá não tem a mesma força. É o que acontece hoje com as diversas áreas de Engenharias, por exemplo, há cinco anos faltava engenheiros para um país em franco crescimento, hoje não há vagas e sobra profissionais qualificados e graduados em algum tipo de engenharia. Com estes fatores é preciso ter alguns cuidados na hora de escolher um curso: 

1) Ver se de fato o curso está relacionado com habilidades e interesses que o aluno tem para cursar, e lógico associado com o futuro exercício profissional.  Por isso que o processo de orientação profissional ajuda no discernimento para a escolha, em que o aluno conseguirá correlacionar as suas habilidades, conhecimentos, atitudes com o que projeta para seu exercício profissional. 

2) Mesmo que o curso não seja a base futura para o exercício profissional, a graduação impacta diretamente no alicerce desse processo de escolha profissional. São de 4 a 6 anos de estudos técnico e prático para o início de uma carreira. Saber o que o curso oferece, a grade curricular, a didática do curso e as especialidades do curso; é comum o aluno escolher uma graduação e depois ficar decepcionado por não ser  bem o que imaginava que iria estudar, fantasiava uma coisa e estudou outra. É sempre bom lembrar que os três primeiros anos da maioria das graduações são com estrutura bem teóricas, as atividades práticas começam depois. Os bons cursos precisam ter uma base sólida de fundamentação, pois a graduação é para fortalecer as estruturas de conhecimento. Um Engenheiro Civil poderá saber todos os passos para a construção de uma ponte, mas se não souber todos os fundamentos que levaram ao projeto para a edificação de uma ponte, será um engenheiro prático e não terá muito conhecimento teórico. Aí é melhor nem fazer a graduação em Engenharia Civil, basta ser um pedreiro ou construtor. 

3) A escolha da faculdade é outro elemento de suma importância para a escolha da graduação. Observar se a instituição possui boas avaliações, se tem um corpo docente com titulação, se oferece laboratórios, se faz relacionamento com o mercado, ou seja, se ainda prevalecem os fundamentos de uma graduação. Muita gente bate na tecla de que o que vale não é a instituição em si, mas a vontade do aluno. Sem dúvida a vontade de conhecer do aluno vale muito, mas imagina se um aluno com muita vontade e altamente motivado não encontrar uma instituição estruturada para suprir suas necessidades. Uma boa estrutura para o aluno altamente motivado é uma excelente conjunção para o sucesso do futuro convívio.

Além dos fatores supracitados é preciso que o aluno também esteja atento para acompanhar muito bem como está a classificação para as diferentes escolas/universidades que sua nota pode indicar possibilidades de aprovação, é preciso ver também a logística do aluno para se manter no lugar que sua nota estiver qualificada.

O sistema do SISU trás muitas possibilidades, assim, antes de se inscrever na primeira e segunda opção de curso e universidade, é indicado que o aluno verifique a qualificação daquela graduação no local específico onde a nota do ENEM indica que está dentro da nota de corte. Ver as potencialidades do curso e as facilidades logísticas que a universidade oferece: refeitório, moradia, bolsas de pesquisa.

Por fim, é importante também o candidato se inscrever na primeira e segunda opção tendo sua nota bem acima da nota de corte. As primeiras listas sempre são com notas baixas, na medida que os alunos vão leiloando pela inscrição suas notas conforme suas escolhas,  a nota corte tende a aumentar. Já monitorei jovens que acreditaram que estavam dentro e esqueceram de observar até na véspera do encerramento das inscrições pelo SISU e no dia seguinte viram que não constavam em nenhuma lista de chamada. Lembro-me de um aluno que estava no 7° lugar em uma determinada lista de curso e universidade, mas depois pulou para 112°. Ele esqueceu de observar essa modificação que vai ocorrendo em todo processo. É preciso ficar atento também porque depois da primeira chamada, só valerá a inscrição realizada como primeira opção. Mantenha a sua inscrição se de fato a nota estiver bem acima na nota corte para aquele curso.
 
Mesmo com todos estes detalhes, pelo sistema SISU ficou muito melhor e mais fácil os jovens ingressarem no curso superior para a universidade pública. Já avançamos neste fator, onde cada universidade fazia seu vestibular próprio e perdia a universalização dos alunos. No atual sistema, podemos observar que ha alunos de diferentes estados em uma mesma universidade. Na UFES de Vitória-ES, já observamos um crescente número de alunos que são de outros estados e com o ingresso da UFES no Enem, esta realidade da universalização da universidade já começa a mudar o cenário desta universidade. Quem não gostou desta nova forma foram os empresário da educação local, que sempre ganharam  muito com a segunda fase da UFES.


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