PORQUE SOMOS O PAÍS DA DEPRESSÃO?

Publicado em 27/11/2017


Enquanto não se faziam pesquisas no Brasil, acreditávamos nessas induções. Depois com o desenvolvimento das pesquisas em diferentes campos do comportamento humano e principalmente da saúde, vamos observar que na verdade estes adjetivos super positivos do Brasil e dos brasileiros não são tão reais. 

O que tem me chamado muita atenção são os índices de depressão e suicídio no Brasil. Hoje estamos entre os países com maiores índices no campo de depressão e o suicídio tem aumentado vertiginosamente. E a pergunta deve ser feita: “Porque somos um país depressivo?”

Pode parecer exagero falar que somos depressivos, mas segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) da população nacional, uma média de 5,8%, sofre com a depressão, o Brasil tem a maior taxa de depressão em relação aos países da América Latina. Já sobre o suicídio, cerca de 11 mil indivíduos tiram a própria vida anualmente, segundo o Ministério da Saúde, houve um aumento de 12% do ano de 2011 em relação ao ano de 2015, e esse número só tende a aumentar, caso não haja intervenção; e pensando em saúde coletiva, estas  porcentagens são alarmantes. Qualquer gestor público de saúde ao se deparar com estes números, já começa ficar alarmado. O setembro amarelo sobre a prevenção ao suicídio a meu ver não emplacou. Vejo que precisamos atacar a depressão, pois o suicídio é uma consequência dela na absoluta maioria dos casos. 

Mas se falarmos de depressão no Brasil caímos num paradoxo em relação a publicidade veiculada sobre a imagem do brasileiro que descrevi no início deste texto. Olhando mais a fundo e tentando buscar respostas para a pergunta tenho levantado algumas hipóteses:

1. Há uma forte manipulação e processo de alienação da população brasileira pelos meios de comunicação sociais. Principalmente pela principal emissora de televisão do Brasil que é a Globo. Sabemos que quem criou esta cobra foi o regime militar, e a emissora foi moldada para falsear resultados e iludir o coletivo. Olho como muita gente acredita que os militares foram melhores no comando do Brasil e eles estão voltando. A rede globo é tida como a emissora com maior capacidade de alienação coletiva no sistema televisivo mundial. Assim, verdades inventadas, verdades assumidas. Mas “mentira tem pernas curtas” como dizem os caboclos e agora vemos que a alegria do brasileiro são frustrações reprimidas por fantasias do sucesso. Por mais que se tente mapiar uma realidade, uma hora a maquiagem desaparece, ai vemos as coisas por detrás da maquiagem. 

2. Somos frutos de uma história de genocídios. Nosso processo de colonização se deu na perspectiva da exploração. Genocídio indígena, escravatura por longos 300 anos, saque das reservas minerais, exploração compulsiva das florestas, sistema politico emaranhado de falcatruas, troca de favores e “trem da alegria” desde sempre, religião aos interesses de colônia e até hoje aos interesses da elite. Por mais que a Igreja Católica tenha frentes de trabalho aos empobrecidos ou elabore documentos que defenda os menos favorecidos, a maioria dos seus padres continuam príncipes preocupados com dízimo e bem estar pessoal. Falo isso sem receio por que sou católico atuante e testemunho essa verdade. Muitos religiosos que tentam fazer a “evangélica opção preferencial pelos pobres” são vistos, ou mal vistos como comunistas revolucionários. 

3. As redes sociais e a emergência da dependência eletrônica. Como o baixo nível educacional do Brasileiro nas suas diferentes classes sociais pois observo que mesmo entre a classe média/alta temos um índice de semianalfabetos altíssimo, tanto que se perguntarmos para a maioria das pessoas que já possuem diploma de curso superior se eles estão lendo livros, a maioria absoluta vai dizer que não. Tanto que a média de livros que o brasileiro que sabe ler lê, é absurdamente baixa não chega a dois livros por ano. Assim com a emergência dos eletrônicos numa sociedade sem educação e informação o índice de jovens que tornaram-se escravos do smartphone, computadores, vídeo games aumentou assustadoramente. Mas não só no meio juvenil, também entre os adultos. A busca de informação sem esforço. Com isso temos outro elemento que contribui no aumento dos índices de depressão e suicídio. Pois as pesquisas sobre a dependência eletrônica apontam para um crescente índice de depressão e suicídio. 

4. Observo ao alto índice de consumo alcoólico pelo brasileiro. Temos a cultura do copo na mão, do Rock tocado à bebida e dos botecos com os cachaceiros. Este comportamento de laser é deprimente pois sabemos que o álcool é um desencadeador do processo depressivo. 

Enfim, por agora levanto estas quatro hipóteses que pode nos ajudar a pensar a depressão no Brasil. É levantando hipóteses, fazendo perguntas que podemos ver a realidade como ela é, para podermos tomar atitudes sobre nossos hábitos e criarmos mecanismos de uma saúde coletiva melhor para o povo brasileiro. 


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