Vira virou! Meu coração navegador | Sobre a virada de 2017 para 2018

Publicado em 30/12/2017


       Entra ano e sai ano, sempre tudo muito igual; são muitos os desejos de um feliz ano novo. Agora já vemos as movimentações em torno das festas de virada de ano! É aquela loucura para chegar ao litoral, principalmente no eixo Rio de Janeiro / São Paulo, pois são apenas estes os referenciais dos telejornais comerciais do Brasil! Copacabana, Avenida Paulista, uma ou outra informação esporádica de outras partes do Brasil. Onde vivo na cidade de Vitória/ES, tudo a mesma rotina. Estive no dia 28 de dezembro na praia de Guriri em São Mateus/ES, e também lá já estava bem lotada de turistas. Não podemos imaginar outras possibilidades. Outras realidades não estão sendo divulgadas. Aqueles nas pequenas cidades do interior do Brasil, ficam de olho na telinha da TV esperando a contagem regressiva e pensando: “nossa! deve ser maravilhoso...”. Doce ilusão, uma ‘muvuca’ de gente sem recursos de estrutura logística para acolhida e sem segurança pública. Enfim, nos rincões do Brasil, há uma felicidade não manifesta, substituída pela felicidade projetada das telinhas.

      Lembrando a música de Cleiton e Cleidir, que Sá e Guarabira imortalizaram, vou sussurrando “ah! vira virou, meu coração navegador...”. E neste sussurro vou meditando mais esta virada de ano. E com isso lembrando algumas coisas de 2017 que vai se encerrando:

•    No meu estado do Espírito Santo, o ano iniciou sem o sopro do Espírito Santo. A greve da polícia e o estado de terror. Uma guerrilha sem ideologia, apenas os interesses do narcotráfico. Pensei que o ano não iria continuar;

•    Depois veio as desditas da política. E todos sem distinção ficaram com cara de “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”. Mas agora está tudo muito bom, a crise ‘passou’, o povo tranquilizou-se. Nossa! Haja passividade. Neste ano descobri o por que de fato o povo brasileiro no coletivo ainda não colocou fogo no congresso é por que o congresso nacional tem a cara do povo no coletivo, um povo corrupto e cruel. Mas gente, pelo menos caiu a máscara de muitos, do santo do Alkimin, do bom amigo  Aécio, e agora inclusive das contradições ético/morais do Bolsonaro. Assisti neste ano o quanto a elite brasileira é de fato muito famigerada no lucro, e quando cai na política  é tão burra, pois a ganância cega, que faz ressuscitar até o LULA;

•    Vi a entrega que o Temer está fazendo do Brasil para os interesses das grandes corporações de mineração e agronegócio. Gente! Em nome da permanência ‘pacífica do Temer’, estamos entregando a nação;

•    No campo da ecologia vi pouca coisa acontecendo. Uma informação que meu filho Davi me enviou relacionado a um estudo da faculdade de Biologia Marinha (UNESP) e Secretaria de saneamento básico da baixada santista em São Paulo, foi que a orla da baixada santista, onde o Davi mora, está com elevado índice de resíduos de cocaína. O motivo é que no sistema de tratamento de esgoto, não conseguem eliminar a cocaína da água. Como o consumo é muito grande na região, quem ganha é o mar. O mar por lá está ficando ‘doidão’. Mas o mais interessante é que no monitoramento de onde vem o maior número de resíduos de cocaína, descobriram que é dos bairros elitizados da orla da baixada santista. Sabemos que os maiores consumidores de drogas ilícitas no Brasil é a classe média alta e letrada, por isso que muitas greves de policiais virão por ai, pois o narcotráfico é coisa para colarinho branco, que faz morrer o favelado e os filhos abastados. Todos morrem com tudo isso;

•    Vi emergir a possibilidade da terceira guerra mundial, nosso ícone do narcisismo humano que é o Trump, provoca e provoca. Mas como aqui sustentamos a corrupção por sermos uma nação de um coletivo popular corrupto, nos Estados Unidos o coletivo popular é tão narciso quanto o presidente que estão sustentando. Mas e o ditador da Coréia do Norte? Este é fichinha perto do Trump. Mas se esta guerra chegar? Vou para ‘xangrila’;

•    Vi atos e atitudes muito fantásticos. Pobres e desempregados saindo às ruas para pedir comida, para vender algo. Quando um pobre começa a passar fome e sai às ruas para pedir comida, ele já está em uma curva ascendente, pelo menos está saindo. Sabe, minha clínica em Vitória/ES fica no bairro nobre que é Praia do Canto. Fico feliz de ver os pobres incomodando-nos pedindo comida. Agora neste Natal, achei as famílias empobrecidas de uma criatividade maravilhosa, levavam os bebês, os filhos pequenos. Nossa! Haja compaixão. Mas também vi em Linhares/ES um outdoor com a seguinte campanha: “Faça um gesto humano, adote um cachorro”, pensei, só quando a última família de pobres e moradores de rua for adotada;

•    Vi também o crescimento de jovens talentos nas artes musicais, plástica, cênica. Vitória nos proporcionou neste ano muitos espetáculos. Aprendi muito nas aulas de pintura e desenho com meu professor Caio Cruz. Um meio artístico que de alguma forma nos enaltece. Tudo bem que vi emergir o preconceito travestido de moralismo ao tentarem proibir o nu artístico. Nossa, vi o Estefan, um garoto de 13 anos ganhando o maior concurso da música erudita da TV brasileira, na TV Cultura;

•    Também vi o crescimento do ‘feminicídio’, em pleno 2017 quando supostamente acreditávamos que nós homens estávamos mais evoluídos. Ficamos mais machistas. Mas também vi as mulheres cada dia mais ascendendo no mundo das ideias e no crescimento profissional;

•    Aprendi mais e me aprofundei espiritualmente nos pensamentos de Chiara Lubich, uma Italiana que fundou o Movimento dos Focolares. Este ano pude ampliar minhas amizades com as famílias ligadas a este movimento na cidade de Vitória. Neste grupo e com o ideal da unidade vi que posso entrar em 2018 navegando em outras possibilidades e outros mundos;

       Gente, eu particularmente acho muito chato esta coisa de retrospectiva. É sempre tudo muito igual. Mas existe algo que nós podemos fazer: Sermos um pouco mais loucos e nos diferenciar dos normais, pois  “o que me difere do louco é que ele grita o meu sufoco...”. Assim, sem sufoco, o que eu quero é navegar. Navegar para águas mais profundas. Navegar para novas terras e novos mares. Navegar para uma terra sem males!  Mas sem precisar sair da realidade. Ao contrário, transformando a realidade, com garra, força, coragem. Colocando sentido na vida para muito mais do que a vida nos mostra. Visualizar nas nossas ações um mundo solidário, ecológico e gostoso de viver. Tão gostoso de viver que até ser enterrado nele seja interessante.

      Vou navegando para que 2018 seja um ano diferenciado não pela sequência de 2017, pois nesta sequência lógico que será pior já que é óbvia, mas diferenciado pelo sentido na vida que vou dar a este ano que se inicia.

       Assim desejo a você um 2018 com muito sentido em viver. 


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