“Abortomicidiomania”

Publicado em 06/08/2015


A crescente onda de argumentos em torno da legalização do aborto tem como argumento forte de defesa ao aborto  a ideia que no Brasil se pratica milhares de abortos clandestinos e sem proteção à saúde da mulher. Argumento este que força-nos ao convencimento de que se há muitas mulheres praticando o aborto e muitos homens incentivando esta prática, o melhor caminho será legalizar ou discriminar o aborto, criando condições na saúde pública para que seja realizado sem sequelas físicas e emocionais à mulher.

Com esta posição, poderíamos também legalizar a prática do homicídio, pois diariamente, centenas de pessoas são assassinadas a queima roupa pelas ruas do Brasil. Quem sabe, com a legalização ou discriminação dos homicídios, o Estado poderá garantir que as vítimas morram em condições mais adequadas. Ganhariam até o direito de um sepultamento com as honras militares, ao invés dos corpos virarem cadáveres escondidos pelas matas e becos do Brasil. 

Já pensou que interessante seria, se no plebiscito sobre a legalização ou não do aborto, estivesse associado à legalização do homicídio? Seria muito coerente, pois o aborto não deixa de ser um homicídio, onde alguém decidiu pela morte de uma vida que não pode se defender, o feto.

Coitado de quem é contra a legalização do aborto. Porque os discursos de seus defensores já estão tão bem alinhados, que logo associam os contrários ao conservadorismo. Se o Papa Bento XVI vem ao Brasil condenar o aborto, logo dizem que ele é conservador. Mas estes mesmos, que defendem a legalização de aborto, esquecem que Hitler condenou milhões de Judeus à morte por achar que eles não pertenciam à raça pura. Hitler sim, um homicida legitimado pela população Alemã fascinada pelo poder. Hoje querem dizer que a culpa foi só de Hitler, mas e a população que o apoiou na época, com desejo da força e soberania de uma nação?

Se no Brasil temos um alto índice de mulheres abortando, não será com a legalização do aborto que vamos resolver este questão. Pois devemos perguntar qual é a luta dos que pedem a legalização do aborto em relação às melhorias da qualidade à assistência à saúde integral da mulher; perguntar como é realizado o planejamento familiar pela saúde pública; perguntar quais são as oportunidades de emprego, estudo e direitos que realmente as mulheres estão conquistando no Brasil; perguntar como está sendo o processo de conscientização nas escolas para que não se tenha uma gravidez indesejada, etc.

Transformar a questão de aborto em um dilema entre moralistas religiosos e técnicos públicos de saúde é manter a percepção do problema no enfoque de ataque unilateral. É preciso trazer a questão do aborto e suas consequências, para os aspectos antropológicos, sociais, psicológicos, espirituais. Omitir as sequelas causadas por um aborto na vida de uma mulher e família, é querer legitimar ações pelo caminho mais fácil, negando para isto a dor das sequelas existentes. 

    Legitimar ação de morte à quem não pode se defender, é no mínimo covardia. Infeliz da Nação que precisa de recursos covardes para estabelecer normas de sobrevivência e convivialidade. No final, todo poder será dado a quem tiver mais força. Hoje, no Brasil, a força está nas mãos do crime organizado. Bom! já que eles estão tão fortes assim, por que não legalizar a ação deles? Quem sabe dando à eles o poder de direito, sendo que já possuem o poder  de fato.
    
O que nos torna humanos é ver e reconhecer o outro meu semelhante como humano. Ser humano é uma conjugação no coletivo. Eu sou no outro, eu existo quando percebo a existência do outro. Dizer que um ser humano, na condição de célula fecundada, não é um ser vivo, é não exercer a minha humanidade.    
   
É preciso assumir-se humano para não cair nas armadilhas cruéis das argumentações maníacas de destruição dos nossos semelhantes. Esta mania enlouquecedora de transformar vidas em objetos manipuláveis, que sempre perseguiu o existir da humanidade. Que direito da mulher é este de poder decidir sobre uma vida que não é dela. Ou será que uma mãe é dona de seu filho?
 


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