POR TODAS AS MÃES...

Publicado em 09/05/2018


Por que toda a humanidade nasceu de uma mulher” (Vanessa da Mata) 

Pelas mães na hora do parto – Por todas as mães que tiveram a coragem de gestar, planejado ou não, e levaram em frente à gestação, com vírus ou não. Na hora do parto a dor e alegria com o choro do novo rebento. A esperança chora e os braços maternos acolhem.
 
Pelas mães que não puderam ver seus filhos após o parto – Por todas as mães que após o parto não puderam ver o filho nascido, porque não teriam estrutura social para assumir a maternidade e antes mesmo do parto já autorizaram o filho partir para que uma outra mãe pudesse suprir a acolhida, salvando assim o novo rebento da ausência materna. Por onde andará este meu filho? Uma ausência para a vida.

Pelas mães que adotam – Por todas as mães que acolhem o filho entregue pela mãe empobrecida. Acolhem o novo ser para sobreviver. Dois sentimentos maternos que se cruzam, de um lado o da mãe que doa, pela ausência do ser que fecundou e gestou; por outro o sentimento da mãe adotiva imaginando como se sente a mãe biológica perante a entrega de um filho. Um diálogo de almas, mesmo que nunca venham a se conhecer.

Pelas mães que perdem seus filhos para a morte – Pelas mães que velam seus filhos por aborto espontâneo, por ter a morte do filho no parto ou por algum motivo que no decorrer da vida a morte os tenha levado. O sentimento da perda de um filho associo com a figura de uma guarda-roupa quando perde uma gaveta, haverá sempre um espaço vazio a ser contemplado, como acontece na ausência de um filho morto. Uma dor na alma que nada pode preencher, mas que pode ser elaborada e aceita. 

Pelas mães que precisam denunciar seus filhos – Por aquelas mães que ao verem o filho crescer observa que este segue outros caminhos. Caminhos obscuros, injustos e criminosos. As mães de consciência pública e cidadã. Essas que sabem que o erro social de um filho não justifica acobertá-lo para protegê-lo do castigo social. Sabemos que poucas são as mães com coragem para tomar essa postura. Mas mesmo denunciando seus filhos, estão sempre prontas para acolhê-los diante do arrependimento e do reencontro com a verdade. 

Pelas mães que acreditam na melhora de seu filho – Pelas mães que se deparam com o filho se afundando nas drogas, álcool, que lutam pela recuperação deles. Nos centros terapêuticos para recuperação de dependentes químicos, os jovens com mais chances de recuperação são aqueles que as mães apoiam e estão ao lado. As mães que sempre esperam o melhor para os filhos, que oram continuamente por eles.

Pelas mães sociais – Por todas as mães que se fazem mães de filhos perdidos pelas ruas, pela ausência, nos orfanatos que recolhem as crianças que foram abandonadas, nas escolas onde há muitos filhos em que as mães não estão atentas aos vínculos afetivos e estes filhos/alunos tem na professora o traço materno. Por todas as mulheres que emprestam a capacidade da acolhida afetiva que é a força da mulher na sociedade e que direta ou indiretamente cuidam do filho de alguém.
 
Pelas mães espirituais – Pelas muitas mães que as crenças religiosas permitem que a humanidade projete a mãe espiritual. São as Nossas Senhoras, dezenas por aí, conforme a cultura e necessidade de cada filho: “Nossa Senhora do Bom Parto, Nossa Senhora dos Flagelados, Nossa Senhora de...” .  Mas também as divindades espirituais com perfil materno, como acontece no processo de sincretismo religioso principalmente no Brasil pela afro descendência, a maior de todas as mães neste caso é a Iemanjá que por muito tempo os negros transferiam essa divindade para a Nossa Senhora dos Navegantes de forma camuflada, por não poderem cultuar suas crenças africanas na escravatura. Graças a estas mães espirituais que as religiões proporcionam, nunca seremos totalmente órfãos de mãe. 

Enfim, pelas mães de cada um de nós, pela minha, pela sua. Aquela na qual nos acolheu fecundados no ventre materno, nossa primeira casa, o ninho materno. Depois nos recebeu nos braços e nos amamentou, cuidou, lutou, perdeu noites de sono, e nos fez sermos o que somos. Aquela mãe que lhe adotou, que lhe acolheu numa instituição, que te abrigou na vizinhança e fez estar e ser o que é hoje. As mães que vamos ganhando ao longo da vida, as amigas maternas, as mulheres que nos acolhem em cidades distantes, a sogra. Minha sogra, é para mim como uma mãe.

Não dá para negar o dia das mães. Maio, é o mês de todas as “Marias, Marias” nossas mães.  

“Maria, Maria, é um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta!” (Milton Nascimento)


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