NA SEMANA DAS CRIANÇAS, UMA CRIANÇA DENTRO DE MIM

Publicado em 08/10/2018


Outubro é um mês que sempre gostei, principalmente porque era o mês de ganhar presente no dia das crianças e também porque as escolas sempre faziam atividades livres na semana do dia 12 de outubro, o que era bom, pois não tínhamos aulas. E vejo que até hoje esta tradição continua. 

Depois, quando adulto, me tornei psicoterapeuta infantil. Tive uma supervisora na clínica escola da Universidade em que estudei (UNESP - ASSIS /SP), que dizia para mim que eu seria um excelente analista de crianças, pois tenho uma alma de criança. E ela acertou mesmo! Durante meus dias atendo adultos e crianças por uma média de 12 horas diárias, acabo por passar bastante tempo brincando com crianças, pois a psicoterapia infantil é a arte de entrar no inconsciente da criança através do brincar. Assim também como a psicoterapia de adulto é a arte de trilhar o inconsciente dele e se encontrar com a criança que está no seu interior. Como disse o Psicanalista inglês, Donald Winnicott, o que analisamos no adulto é a criança que está dentro dele e por isso ao se atender adultos é bom atender crianças. A busca é a mesma, muda apenas o objeto da conversa. No adulto é a fala, na criança é o brincar, mas o processo tem o mesmo objetivo: levar o indivíduo a sua auto percepção e a beber de seu próprio inconsciente para tornar-se autossuficiente na sua forma de lidar com seu emocional, e assim ser um cidadão autônomo, um cidadão analisado.

Desta maneira, procuro sempre perceber a criança que insiste em permanecer em mim. Nas brincadeiras, no começar cada dia com entusiasmo, no confiar no ser humano, nos momentos de olhar para a vida de forma ingênua, na alegria de colocar brilho e luzes em tudo. Pois quando falta em mim ou esqueço de mim, a criança que habita no meu ser, pego-me rancoroso, malicioso, angustiado, triste, receoso e até com desesperança. 

Sabemos que na vida adulta, muitas vezes a criança fica incomodando nas atitudes imaturas, isso acontece quando a pessoa não consegue assumir-se como adulto na escolha de seus atos. É como que, se dentro dela a criança pequenina que não cresceu ficasse como uma bolinha de sininho incomodando. Mas quando a pessoa adulta já amadureceu e a criança cresceu, o que se revitaliza são as memórias da história da criança. Mesmo que já cresceu e amadureceu, ela a criança, continua viva na memória. 
E é pela memória que levo para sempre a criança dentro de mim. Por isso a vida tem brilho e a esperança se renova a cada dia, em todos. Nas crianças que por si só já trazem esta força revitalizadora e nos adultos pela força da memória pessoal.


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