Tempo para colher

Publicado em 20/12/2018

Mais um dezembro chegou e com ele a sensação de que o ano passou. Para uns, muito rápido. Para outros, lento demais. Alguns com a sensação de um ano cheio de bons resultados, outros com a sensação de ter que medir os resultados ainda no próximo ano. O certo é que o tempo, segundos, dias, semanas, meses e ano, é construção cultural da humanidade que no seu processo de desenvolvimento civilizatório o foi estreitando. Tempo de hoje que foi sendo definido a partir do momento em que adentramos na produção agrícola mais intensificada, para suprir as demandas do crescimento populacional. Antes da revolução agrícola, éramos nômades, levantávamos pela manhã para caçar e pescar e a tarde comíamos. Vivíamos do que a natureza nos ofertava. Depois começamos a compassar o tempo, plantamos produtos anuais, semestrais e hoje até mensais. Produzimos animais para o abate em um curto espaço de tempo. Das necessidades alimentares criamos a organização do tempo. E o tempo nos apresenta com dados da realidade de ontem, do hoje e do amanhã. A cada sol poente, um dia passou. 

Dezembro é o anúncio de um ano que termina e outro que vai começar. É um mês cheio de expectativas. Eu gosto muito deste mês, pois criei o hábito de tirar férias a partir do dia 22. Vem o Natal, tempo de desejar paz. Vem o dia do ano novo e o último dia de dezembro já nos traz a ansiedade do amanhã ou a nostalgia do ano que está ficando. 

Assim, dezembro é tempo de colher o que plantamos. Empresas se confraternizam, famílias se encontram, amigos festejam. Muitos até fazem uma parada nos últimos dias do ano para o famoso balanço anual. Em dezembro já começamos preparar o solo para a nova plantação do ano que se anuncia. 

Se plantei amor, amizade, trabalho, dedicação, compromisso, esperança, fraternidade, parceria, alegria, superação, enfim, todos os pré requisitos da felicidade, vou colher um sentimento feliz. Se plantei ódio, discussões, rancor, disputas, desentendimentos, corrupção, terror, medo, afastamento, brigas, calúnias, fofocas, tristezas e outros pré requisitos para infelicidade, vou colher a infelicidade. 

Ao parar para pensar o ano que se finda e planejar o que se anuncia, é preciso ter a coragem para pensar no que plantei e no que estou colhendo. Se a felicidade ganhar da infelicidade, que dezembro seja celebrado com alegria. Se a infelicidade prevaleceu no seu plantio, ao invés de sentar, chorar e colher os frutos da infelicidade, estes que chegarão nas suas mãos com certeza, é melhor se propor a rever sua estratégia para o próximo ano. E antes que este novo ano chegue, é melhor procurar por todos os quais você prejudicou, ofendeu, humilhou e peça perdão, peça uma oportunidade para recomeçar, reaprender a plantar. Se não conseguir por si mesmo, procure ajuda de parentes, amigos, lideranças religiosas e se precisar de psicólogos. O importante é não sentar em cima de uma colheita péssima, de grãos “bichados”, e ficar chorando. O melhor é se posicionar para uma nova oportunidade e que o tempo anual que inventamos possa fazer você se reencontrar com o plantio de um campo de predicados que potencialize o encontro com a sua felicidade no próximo ano, para uma colheita de paz. 


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