Auto agressão na adolescência, o que fazer?

Publicado em 11/04/2019


Auto agressão, por quê? 


Tenho observado, entre pais e professores, o aumento do número de queixas em relação a prática de auto agressão entre seus filhos e alunos, principalmente com lâmina de barbear (Gillette) nos braços. Geralmente são relatos de jovens que riscam o antebraço pela parte interna com cortes superficiais.  Esta demanda já começa a trazer muita preocupação nas escolas e está deixando muitos pais apavorados. A dúvida frequente dos pais é se seu filho pode ser um suicida em potencial. Se vai, em uma dessas empreitadas contra si mesmo, cometer uma ação mais violenta e chegar a cortar o pulso. Esta preocupação pode ter relevância, tendo em vista que há um aumento acentuado de suicídio entre jovens. 


Neste contexto, a pergunta que sempre pais e educadores fazem é: "Mas por que um adolescente se corta?". Alguns argumentam de forma simplista que é por "frescura ou para se aparecer"; outros, vão para o outro extremo de acharem que o filho vai se matar, e ficam desesperados. Já recebi adolescentes em consultório que após um episódio de automutilação com cortes no braço os pais os levaram ao médico. Em um caso específico, o jovem saiu com uma receita medicamentosa que "engessou" a sua estrutura existencial . Ao analisarmos o quadro tivemos a percepção que não era um processo de depressão ou dissociação que merecesse uma intervenção radical de controle medicamentoso. Neste sentido, de um extremo ao outro, desde achar que é "frescura"  até achar que o adolescente está à beira da morte, é preciso primeiro ver o fato e procurar entender o que realmente está se passando. Considerar "frescura" é "tapar o sol coma peneira"; ficar desesperado é taxar o adolescente de doente mental sem que de fato possa ser. 



Auto agressão, por quê? 


Sendo assim,  é preciso se posicionar nas seguintes conduções:

1. Estar atento ao filho e ao aluno em sala de aula. Na percepção do ato auto agressivo, não "toque trombeta" ! Se aproxime dos adolescentes sem ataques ou cobranças e sim com diálogo e acolhida. 

2. Procurar identificar a dor que paira sobre o pensamento do adolescente e relacionar se esta dor na alma é transferida para ser sentida na pele pelo ato de auto agressão. 

3. Se os pais ou professores não têm facilidade de chegar no adolescente, procure pessoas que estão mais próximas dele ou a qual ele tem mais afinidade para fazer a intermediação. 

4. Acolher o problema, manter proximidade com o adolescente e praticar a vivência naquilo que ele mais gosta. Mesmo que num primeiro momento os pais ou professores não gostem de fazer o que ele gosta de fazer, como é o caso de jogos eletrônicos, interatividade nas redes sociais e outros. 


5. Procure proporcionar momentos de escuta, "colo afetivo" e atenção, no sentido de mostrar que ele tem uma referência de apoio. 

6. Se diante desta intervenção sem pânico o quadro de auto agressão permanecer, não ataque ou culpe, mas procure uma ajuda. Se o perfil do adolescente auto agressor for de estado depressivo, recolhimento/isolamento e baixa produção educacional, é necessário fazer uma avaliação psiquiátrica para ver a necessidade de usar medicação. Lembrando que na adolescência o processo de medicação psiquiátrica precisa ser feito por especialistas em adolescentes ou psiquiatras com larga experiência de lidar com adolescentes.

Como o remédio não pensa,  é também necessário buscar um processo de psicoterapia com psicólogos que tenham experiência com adolescentes, pois é uma etapa da vida na qual o profissional precisa ter muito domínio da técnica e postura para lidar com as turbulências inerentes dessa idade. Em determinados casos, o primeiro passo é realizar uma avaliação psicológica para se detectar a estrutura exata do adolescente e o grau de intensidade da auto agressão no aspecto emocional. Em muitos destes não haverá necessidade de medicação, contudo, é necessário investigar.

Acolher e estar próximo afetivamente... 


O importante, no primeiro momento, é não desesperar. Depois, é acolher e estar próximo afetivamente. Observar se haverá  evolução do sintoma, a partir daí é necessário avaliar e proceder com intervenção médica, em caso de profunda alteração comportamental, principalmente pelo sintoma de depressão que de fato é o responsável por 80% dos suicídios. 

Pela complexidade do tema de auto agressão na adolescência e pelo aumento vertiginoso dos quadros apresentando este sintoma, devemos ampliar nosso olhar de busca do entendimento sobre o tema pois há um leque enorme de possibilidades no contexto atual que podem ser provocadores desta auto agressão. Este texto, não vai, neste momento, conseguir enumerar as muitas reflexões que perpassam a temática, mas se você quiser ir mais a fundo tenho no meu site vários artigos sobre a adolescência e também sobre hábitos eletrônicos que a meu ver tem contribuído muito para o aumento da auto agressão. Confira alguns artigos: 




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