Ler 60 livros no ano, é possível?

Publicado em 24/04/2019



Experiência literária... 

Dia 23 de abril é o dia mundial do livro. Neste ano me propus a ler 60 livros, ou se preferir, 5 livros por mês ou até mesmo 1200 páginas de livros/mês. Chequei a essa conclusão depois que observei que desde os meus 15 anos sempre fui um leitor assíduo. Desde criança observava meu pai lendo suas coleções aos sábados e domingos, ele sentava no chão da sala e esparramava a Barsa (enciclopédia impressa) aberta pelo chão. Também via a minha mãe lendo livros que a escola pedia para as minhas irmãs mais velhas. Ela lia em voz alta para que depois minhas irmãs pudessem fazer prova do livro. Na cidade em que nasci e fui criado, São José do Rio Pardo-SP, cultua-se o nome do grande escritor brasileiro, Euclides da Cunha, que escreveu um dos livros mais importantes para a literatura brasileira, os Sertões. Em todo mês de agosto a cidade respira a Semana Euclidiana, em que estudiosos de diversos lugares do Brasil e até de outros países chegam para estudar a obra de Euclides da Cunha. Na escola éramos incentivados a leitura com trechos do livro "Os sertões". 

Este “DNA cultural” que perpassa minha experiência positiva com livros não representa para muitos riopardenses e amigos meus, o mesmo que foi para mim. Muitos naquela cidade, assim também como muitos brasileiros, não leem livros.Por isso que esta minha relação com livros foi uma elaboração pessoal que não serviu para todos os cidadãos que nasceram naquele meio ou em ambientes em que o livro é cultuado.

     Percebi, mais recentemente, que também eu estava caindo no patamar de estatística do povo brasileiro que não chega a 2,5 livros por ano dentre os 30% dos brasileiros que sabem ler. Observei que também estava me deixando levar pela era do digital, dos celulares e das redes sociais. Minha quantidade de livros lidos estava reduzindo. 

Como surgiu a meta de 60 livros em 2019... 


Em uma sessão terapêutica um dos meus pacientes narrava que estava diminuindo seu hábito de ler, perguntei para ele sobre o tempo em que estava gastando com o celular nas redes sociais, ele me disse que em torno de três horas às noites. Observei que eu também estava caindo nesta armadilha. Com isso despertei-me! E resolvi entrar em 2019 com uma meta ousada: ler 5 livros por mês e um total de 60 livros por ano ou 1200 páginas/mês, isso porque tem livros com mais de 700 páginas, então se leio 2 livros no mês já estou cumprindo a meta. 

 Leio desde livros técnicos na área de Psicologia/Psicanálise, até de formação espiritual, poesias, literatura e sobre sociedade. Cheguei no dia 23 de abril com 17 livros lidos e estou defasado em três para cumprir a meta dos 5 livros mês. Mas vou cumprir, pois revi meus hábitos e agora estou gastando bem pouco tempo no celular ou seguindo comentários de redes sociais. 

Lógico que esta minha meta pode parecer absurda aos olhos do povo brasileiros nada acostumado a ler livros. Mas para mim é algo possível. Além de me ajudar a ampliar os horizontes do conhecimento, a leitura diversificada de livros colabora na  minha profissão pois atendo pessoas de diferentes áreas do conhecimento, diferentes faixas etárias. Assim, sinto que na fala de muitos pacientes não fico tão alheio ao  mundo deles.


Porque é tão importante ler livros? 


Quando supervisiono Psicólogos em atendimento através do método “Psicanálise Contextualizada”, que estruturei ao longo do meu exercício profissional, peço para que leiam muita literatura. Pois livros literários ajudam-nos a entrarmos no mundo cotidiano das pessoas, além de colaborar na potencialidade da escrita, principalmente no processo de transcrição das sessões clinicas, que nada mais é que um texto literário descrevendo tudo o que aconteceu em uma sessão de psicoterapia.

Alunos do ensino fundamental e médio que possuem o hábito da leitura tendem a ter melhor desempenho em provas e processos seletivos, isso  porque aprenderam a interpretar melhor um problema e até a perceberem pegadinhas de questões em provas capciosas para derrubar candidatos. Tenho monitorado jovens em processo de escrita para redação em vestibular, e observo que aqueles alunos que ampliam o leque de livros e  a quantidade dos mesmos, conseguem pontuar dentro de um curto espaço de tempo melhora significativa em redação. A última experiência que vivenciei neste campo foi com uma paciente jovem de 18 anos que iniciou o ano letivo de 2018 com baixo índice de leitura e um histórico de redações que não atingia média 5,0, além de apresentar um pobre campo argumentativo. Depois que intensificou sua leitura de livros literários, de análise da sociedade e bibliográficos, ela conseguiu atingir 950 pontos no Enem (equivalente a 9,5), uma evolução fabulosa! 

Oriento sempre aos jovens a dedicarem diariamente pelo menos 30 minutos a leitura de um livroo conhecido "livro de cabeceira". A ideia é manter os 30 minutos diários, pode ser antes de dormir ou no intervalo dos estudos com horários cronometrados. Mantenha a leitura até o livro acabar e assim continuamente com outro e com outro. E essa dica, é claro, não se restringe somente aos jovens mas a todas as pessoas, de todas as faixas etárias, inclusive crianças. Para se ter uma ideia é possível ler mais de 1000 páginas de livros por mês com apenas 33 páginas por dia. E olha que 1000 páginas podem representar de 4 a 5 livros por mês, simples não é ? 

Os livros são um produto milenar.  A biblioteca mais antiga da humanidade é datada com mais de 10000 anos A.C em Alexandria. Livro é um produto que não vai acabar, tanto que em pleno período da tecnologia de informação, temos informações de que houve aumento da venda de livros em espécie. É sempre bom lembrar que quem lê um livro, lê a vida! Amplia horizontes e torna-se um sujeito mais conectado com o mundo. 

         A minha experiência é menos exagerada do que a de Ricardo Semler, que narra em seu livro "Você está louco", que no primeiro dia do ano faz a lista dos 200 livros que vai ler durante o ano. Cada um tente buscar um caminho de leitura que esteja ao seu alcance. Desde um livro ao mês até infinitos. O importante é começar.Principalmente se for pai e mãe que desejam ver seus filhos leitores. O espelho é um processo de assimilação de aprendizado que perpassa o referencial de uma criança. Crianças espelham muito os hábitos dos pais. Por isso que se os pais desejam filhos leitores, é melhor se tornarem também leitores. Aqui vale e muito a regra de ouro do fazer, pedir e dar exemplo.

         Na semana do próximo dia mundial do livro eu te conto como anda minha meta de leitura de livros que tracei neste ano. Espero que você embarque nesta ideia também.


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