Ilusões Materna

Publicado em 20/08/2015

ILUSÕES  MATERNA
                                          


A celebração do dia das Mães movimenta o comércio e mobiliza as famílias. Neste dia, o ícone mãe é carregado de mito:“mulher que não é mãe fica incompleta”; “ser mãe é padecer no paraíso”; “o olhar de mãe protege a ação dos filhos”; “ mãe é sinônimo de bondade”, etc.  Junto com os ícones, surgem algumas fantasias incorporadas por muitas mães, como: 1) “Ser mãe é para sempre”- quando as mães são questionadas que não possuirão seus filhos depois de adultos, rebatem: -“ uma vez mãe, nunca deixa de ser mãe”. Biologicamente esta é uma argumentação real, mas enquanto papel educacional e simbólico pode dizer que esta afirmativa é resultado de um vínculo materno/filial de dependência. Há homens com comportamento simbiótico com a figura materna tão forte que ficam apegados nelas mesmo depois que casam. Alguns continuam almoçando na casa da mãe por que o feijão dela é inigualável, ou passam na casa dela para tomar o cafezinho todos os dias. Lógico que estes comportamentos sempre são alimentados por este tipo de homem principalmente quando as mães estão com algum problema de saúde. Sustentar a necessidade de continuar cuidando dos filhos adultos, é acreditar na ilusão de continuar sendo mãe. E quando o filho sente que ainda precisa ser cuidado por sua mãe já na vida adulta revela sua dificuldade em crescer, pois ainda precisa de uma mãe. 2) “Os filhos são da mãe”-aqui as mães tendem a tomar posse sobre a vida dos filhos, acreditando que sempre serão seus. Quando os filhos adultos e maduros seguem o próprio caminho, dando prioridade para seus projetos pessoais, estas mães tendem a reclamar a ausência dos filhos com chantagens emocionais para tentar a reaproximação deles. Cenas do tipo: - “minha filha é ingrata, não dá a mínima para mim, e agora só pensa em seus projetos...” típica lamentação das mães que deram muito com o desejo de algo em troca. 3) “O amor às mães é o maior de todos”- temos aqui o dilema de quem amamos mais em nossas vidas. Lembro-me de uma circunstância em que alguns esposos conversando sobre uma situação extrema de salvarem ou as mães ou as esposas, cuja possibilidade de sobrevivência fosse reservado apenas a uma das duas, a maioria deles responderam que salvaria a mãe, pois esposa arruma-se outra, e mãe só se têm uma. Este dilema têm torturado a convivência de muitas noras/genros/sogras, pois precisam conviver com a disputa de quem ama-se mais . 4) “ Minha vida é para os filhos”- situação esta que leva uma mulher a cair no “vazio do ninho” quando os filhos adultos vão embora. Com a casa vazia pela ausência dos filhos e com a perda de vínculo com o esposo, pois deixaram esfriar o namoro conjugal por causa da tarefa de educar os filhos, caem na percepção real que ao longo da vida conjugal só conjugaram o papel paterno e materno, esqueceram de ser cônjuges e  construíram muito pouco como pessoas na sociedade. Nasce com este vazio a  depressão, hipocondria. O casal, um olha para o outro e se perguntam: “- ...por que estamos juntos?
De qualquer forma, as fantasias são sustentadas tanto pelas mães como pelos filhos, pois o ser humano tende a viver de forma regressiva pela busca dos vínculos perdidos na infância. Assim, a retro alimentação das fantasias de dependências materno/filial, dificilmente terão fim e continuarão sendo exploradas pela logística de consumo.
Fomentar fantasia para o imaginário do ser mãe é insistir na construção imatura das relações, que transforma os vínculos em dependências. O melhor caminho é saber que mãe é mais uma etapa de muitas que a vida reserva para uma mulher, assim como é mais um papel de muitos outros papéis que a vida vai exigir.





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