2019 anuncia 2020

Publicado em 31/12/2019


Em 2019 vivenciamos o anúncio do que será 2020. Nada será diferente do que fomos no ontem. Lógico que em nossos desejos, a esperança e a fantasia de uma vida melhor, ajuda a comemorarmos a passagem de mais um ano. E que prevaleça nossas expectativas.

Porém, a cinematografia nos anunciou profeticamente em 2019 o que nos espera em 2020, e nos próximos anos, pois a arte nos ajuda a imaginar o que a olho nu não conseguimos ver. As massas excluídas do sistema econômico mundial, que representam quase 90% da população no planeta, gritam! E vai invadir a praia dos que estáveis se encontram, é uma questão de tempo. Como descrevo brevemente abaixo:

No filme Bacural, do diretor Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, presenciamos a invasão americana no interior nordestino brasileiro em busca de minério e com alta tecnologia em que a comunidade local se sujeita aos controles tecnológicos. Porém, uma comunidade também conectada no sistema on line e que conseguem resistir a invasão cultural e exploratória americana. A defesa cultural da comunidade se dá mediante muita violência e sangue.

Também o filme Coringa, dirigido por Todd Phillips e com uma atuação brilhante do ator Joaquim Phoenix, alerta sobre a construção da insanidade mental produzida pela exclusão do sistema de produção e consumo de massas urbanas, que se rebelam contra o fascínio ditatorial de políticos corruptos. Uma situação que se agrava e leva multidões a se rebelarem contra o sistema. Num cenário norte americano que é tido como algo exemplar a ser seguido pelo Brasil. Um desfecho também traumático.

Em Parasita, um filme sul coreano, dirigido por Bong Joon-ho, uma família desempregada cria subterfúgios de empregabilidade manipulando uma família nobre e abastada. Neste, o diretor trás a sutil percepção de uma nação que vende a ideia da equidade social para todo o mundo, mas que no seu núcleo interno relega milhões de cidadãos à exclusão, o resultado é trágico e nada agradável para o cenário de uma sociedade que até então acreditávamos ser modelo de qualidade de vida no mundo.

Estes anúncios proféticos de 2019 para 2020, nos alertam de que precisamos ter um olhar diferenciado sobre os povos no planeta. Um planeta criado para todos, porém, restritivo à poucos. Massas sobrantes, que se não houver  políticas de inclusão definitivamente solidárias de construção de uma sociedade do amor, onde todos possam ser tratados com igualdade e dignidade, explodirá em conflitos, pela força dos excluídos que gritarão e já estão gritando seu sufoco pelas praças de diversos países, como podemos observar nestes tempos em nosso país vizinho Chile, que vive a maior ebulição social de sua história.

Dia primeiro de janeiro é o dia internacional da paz. Mas só vamos viver verdadeiramente a paz se todos os viventes, principalmente os humanos, estiverem usufruindo com equidade dos bens deste planeta.

Janeiro também é o mês “Branco”, da saúde emocional. Do cultivo às práticas que nos coloquem na condição do bem estar emocional. Porém, este bem estar só será possível se estivermos conjugando os direitos de todos indistintamente.

Neste sentido, para podermos adentrar em 2020 com o propósito de esperança na humanidade e de fazer acontecer concretamente a paz tão esperada, precisamos nos propor a agirmos na busca de soluções para resgatar seres humanos que hoje, estão como massas sobrantes anunciadas nos filmes acima citados. Do contrário,  será mais um ano em que estaremos, de forma hipócrita, desejando “feliz ano novo”; “paz”; “felicidade”; etc.

Que possamos nos encontrar neste time de cidadãos que desejam conjugar a paz na partilha e na equidade de direitos entre todos.

Feliz desejo de Paz



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